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Internacional

Filha de Desmond Tutu deixa de poder exercer como ministra da Igreja anglicana, por ter casado com uma mulher

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RODGER BOSCH/AFP/Getty Images

O seu famoso pai, que lhe deu uma "benção especial" na cerimónia, apoia-a desde o início

Luís M. Faria

Jornalista

A filha de um dos heróis da luta anti-apartheid, o arcebispo Desmond Tutu, tem ela próprio o grau (e as tarefas) de Reverendo na igreja anglicana da África do Sul. Ou melhor, tinha. Pois acaba de perder os seus direitos em virtude de ter casado com outra mulher. Embora o país tenha legalizado o casamento gay já em 2006, a igreja continua a definir casamento como uma ligação entre um homem e uma mulher.

“Como a Igreja Anglicana sul-africana não reconhece o nosso casamento, não posso continuar a exercer o meu ministério como padre na África do Sul. O bispo da Cidade do Cabo foi instruído para revogar a minha licença. Decidi que seria eu a entregar-lha, em vez de ele ma tirar”, explicou Mpho Tutu-Van Furth num anúncio agora feito.

O pai de Tutu-Van Furth defende há muito os direitos dos homossexuais, e obteve permissão especial da hierarquia para conceder uma “benção de pai” quando a filha casou. Tanto esta como a sua esposa, a sua parceira de longa data Marceline Van Furth, uma académica ateia, são divorciadas de homens e têm filhos. O casamento original entre as duas teve lugar na Holanda, mas houve depois uma segunda cerimónia numa propriedade sul-africana do bilionário Richard Branson.

Um comentário da ex-Reverendo - que poderá eventualmente recuperar o título num encontro da sua Igreja em setembro - resume bem a situação: “Ironicamente, vindo de um passado onde a diferença era um instrumento de divisão, é a nossa semelhança que agora causa perturbação. A minha esposa e eu somos ambas mulheres.