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Centrais nucleares juntam-se aos protestos em França

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THIBAULT VANDERMERSCH/EPA

O primeiro-ministro francês Manuel Valls admitiu a possiblidade de fazer alterações pontuais à nova lei do trabalho, mas sem modificar o texto na sua essência

Helena Bento

Jornalista

Trabalhadores do setor nuclear em França anunciaram que vão juntar-se às centrais sindicais na luta contra a reforma da lei do trabalho que o Governo de François Hollande continua a tentar aplicar.

O cenário pode agravar-se com a greve geral marcada para hoje, sobretudo porque foi feito um apelo a que as 19 centrais nucleares do país adiram ao protesto, o que pode afectar a produção de electricidade. Uma delas, Nogent-Sur-Seine, já votou pela adesão.

De acordo com a Confederação Geral do Trabalho (CGT), uma das principais sindicais francesas, 16 das 19 centrais nucleares decidiram a favor de uma paralisação do setor durante esta quinta-feira. Teme-se que a greve possa venha a afetar a produção de eletricidade no país.

Ao longo desta semana, várias refinarias petrolíferas suspenderam a sua atividade. Com 40% das gasolineiras do país encerradas ou em dificuldades - segundo números do ministro dos Transportes Alain Vidalies -, o Governo viu-se já obrigado a recorrer às reservas estratégicas de combustível. Controladores aéreos também se encontram em greve.

Os representantes dos trabalhadores exigem que o Governo francês abandone completamente a nova lei do trabalho, por considerarem que retira direitos e salários e abre caminho a contratos precários. O primeiro-ministro francês Manuel Valls já garantiu que o Governo não vai recuar, embora tenha admitido esta quinta-feira a possibilidade de serem feitas alterações pontuais ao texto.

Numa entrevista televisiva, citada pelas agências de notícias internacionais, o primeiro-ministro francês considerou irresponsável a ação da CGT, que lidera o movimento contra o projeto de lei.

Manuel Valls assegurou ainda que vai continuar a ser desbloqueado o acesso às instalações petrolíferas e industriais que tinham sido encerrados por piquetes de greve.

Questionado sobre os recursos aos quais estaria disponível a recorrer para obrigar os grevistas a voltar ao trabalho em caso de força maior, o governante disse que “todas as possibilidades estão em cima da mesa”.