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Turquia repete ameaça: sem isenção de vistos não há acordo de refugiados

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ADEM ALTAN/ Getty Images

Presidente Erdogan promete chumbo do acordo de repatriamento de requerentes de asilo alcançado com a União Europeia em março se cidadãos do país continuarem a ter de obter vistos para viajar no espaço Schengen

O Parlamento turco vai bloquear o acordo com a União Europeia, que prevê o repatriamento de refugiados que cheguem às ilhas gregas "ilegalmente", se os cidadãos do aspirante a Estado-membro não passarem rapidamente a integrar o grupo de pessoas isentas da obtenção de vistos para viajarem no espaço Schengen.

A ameaça foi repetida esta quarta-feira pelo Presidente da Turquia Recep Tayyip Erdogan, dois meses depois de esse acordo ter sido alcançado sob a condição imposta pelos turcos relacionada com os vistos. Nas mesmas declarações, o líder turco disse que os fundos prometidos pela UE para gerir os mais de dois milhões de refugiados instalados no país ainda não foram desbloqueados.

Bruxelas continua a defender que a Turquia precisa de cumprir uma série de exigências e garantias se quer obter isenção de vistos no Schengen, entre elas alterar a sua lei antiterrorismo, que muitos Governos e organizações não-governamentais dizem pôr em causa os Direitos Humanos e a liberdade de expressão no país.

Na semana passada, Richard Dearlove, ex-diretor do MI6, uma das secretas do Reino Unido, alertou que isentar os 75 milhões de turcos da obtenção de vistos para conter o fluxo de refugiados e encerrar a rota dos Balcãs representa riscos perigosos e só vai agravar ainda mais a situação.

Dias depois dessas declarações, foi denunciado que a Turquia está a impedir determinados cidadãos sírios de serem reinstalados na União Europeia, uma medida prevista no contestado acordo sob o qual por cada refugiado "devolvido" à Turquia a UE aceita integrar um sírio num dos seus Estados-membros. Este mês, a Turquia foi ainda acusada pela Human Rights Watch de estar a abater e a torturar refugiados na fronteira com a Síria.