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Penúria de combustíveis ameaça França de bloqueio global

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Nas bombas de combustível em França os clientes são avisados de que só podem abastecer 20 litros por viatura e que é proibido encher recipientes portáteis

DAMIEN MEYER / AFP / Getty Images

Movimento contra a nova lei do trabalho radicaliza-se em França. À penúria de carburantes podem juntar-se agora cortes no fornecimento de eletricidade e greves nos transportes. Os automobilistas estão a viver um pesadelo

Filas intermináveis para abastecer os carros com gasolina e gasóleo, racionamento e estações de serviço fechadas por falta de combustíveis – os automobilistas franceses estão a viver um autêntico pesadelo e tudo pode piorar nos próximos dias.

As greves e os bloqueios de refinarias e depósitos de carburantes contra a reforma da lei do trabalho radicalizam-se de dia para dia e mesmo de hora para hora. Apesar de cedências do Governo no que respeita às regras sobre os despedimentos económicos ou ao pagamento das horas extraordinárias, o movimento está a transformar-se num quebra-cabeças para o Presidente François Hollande e o primeiro-ministro Manuel Valls, que nem sequer têm uma maioria na Assembleia para conseguirem aprovar a nova legislação laboral.

Pretendem aprovar a lei por decreto, sem recorrer ao voto, e são contestados mesmo por uma franja de deputados socialistas (ler no Expresso Diário desta quarta-feira uma entrevista com o deputado Pascal Cherki, um dos líderes dos “frondeurs”, revoltados, do PSF).

O Expresso constatou esta manhã verdadeiras cenas de caos em algumas das bombas de gasolina nas principais entradas de Paris. Nas portas de Orléans e de Saint-Cloud, por exemplo, os automobilistas mostravam-se exasperados por terem de esperar várias horas para conseguirem alguns litros de gasolina (20 a 30 litros para uma viatura ligeira, 40 a 50 para uma pesada). Por não terem sido abastecidas, muitas outras bombas estavam fechadas esta manhã em Paris e noutras cidades, um pouco por todo o território.

Todas as oito refinarias do país e dezenas de depósitos de combustível continuavam bloqueados ao fim da manhã ou a funcionar muito parcialmente, apesar das constantes intervenções das forças policiais contra os piquetes de greve.

Muitos postos de abastacimento franceses estão fechados por rutura dos seus depósitos

Muitos postos de abastacimento franceses estão fechados por rutura dos seus depósitos

DAMIEN MEYER / AFP / Getty Images

A situação poderá agravar-se e o bloqueio ameaça tornar-se global, porque a central sindical CGT (próxima do Partido Comunista) apela igualmente ao cerco dos principais portos e a greves nas centrais nucleares e elétricas, bem como nos caminhos de ferro.

Desde o início deste movimento, no fim da semana passada, o receio de penúria de combustíveis levou muitos automobilistas a lançarem-se numa corrida às estações de serviço, provocando, mais rapidamente do que previa o Governo, problemas de abastecimento.

Em toda a França, mais de um terço das bombas de gasolina estavam fechadas ao fim desta manhã ou com grandes dificuldades de abastecimento, porque desde há uns dias os franceses têm comprado quase cinco vezes mais gasolina e gasóleo do que habitualmente, obrigando as autoridades a terem de recorrer às suas “reservas estratégicas”.

A ameaça de bloqueio geral poderá traduzir-se também em cortes no fornecimento de eletricidade se for seguido o apelo da CGT a greves neste sector. Esta central sindical, bem como algumas outras mais radicais, pedem a retirada pura e simples da lei do trabalho. Outros sindicatos e deputados socialistas, ecologistas e comunistas pedem uma reformulação de alguns dos principais pontos polémicos do texto.