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Internacional

Milhares de crianças indonésias continuam exploradas na indústria do tabaco

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Marcus Bleasdale / HRW

Human Rights Watch denuncia num relatório que as autoridades do país e as tabaqueiras multinacionais não estão a fazer nada para proteger as crianças do trabalho escravo e perigoso no cultivo da planta do tabaco

Milhares de crianças da Indonésia, algumas com apenas oito anos de idade, estão a trabalhar em condições perigosas nos campos de cultivo de tabaco e respetivas fábricas, com o conluio e sob um manto de silêncio das autoridades do país e das multinacionais tabaqueiras que compram o produto.

A denúncia é feita num relatório divulgado esta quarta-feira pela Human Rights Watch (HRW), intitulado "The Harvest is in My Blood’: Hazardous Child Labor in Tobacco Farming in Indonesia", onde a organização apresenta documentos e provas de que as crianças obrigadas a trabalhar nestes campos de cultivo e nas fábricas estão expostas a nicotina, a químicos tóxicos e a ferramentas afiadas e cortantes, trabalhando sob um extremo calor e carregando enormes pesos. Esta falta de condições tem um impacto nocivo e de longo prazo na sua saúde e desenvolvimento, alerta o grupo.

HRW

"As tabaqueiras estão a fazer dinheiro à custa das costas e da saúde de crianças indonésias", acusa Margaret Wurth, investigadora de direito infantil e coautora do relatório. "As empresas de tabaco não deviam contribuir para o recurso a trabalho infantil perigoso nas suas redes de fornecimento."

No relatório, a HRW exige que as multinacionais que compram tabaco plantado e colhido na Indonésia parem de fazer negócio com fábricas e quintas onde há crianças a ser exploradas, para evitar o seu contacto direto com o tabaco, pedindo ainda às autoridades do país que regulem a indústria por forma a responsabilizar as empresas que continuem a lucrar com a exploração de crianças.