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Homem que atacou Museu Judaico conhecia suspeitos dos atentados de Bruxelas

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Quatro pessoas morreram no ataque do franco-argelino Mehdi Nemmouche ao Museu Judaico de Bruxelas em maio de 2014

NICOLAS MAETERLINCK

Foi apresentado como “lobo solitário” sem ligações a qualquer célula terrorista depois de matar quatro pessoas a tiro em 2014. Mas no dia em que a capital belga foi alvo de um duplo atentado, a 22 de março deste ano, Mehdi Nemmouche identificou logo os responsáveis, bem antes das autoridades

Quando na manhã de 22 de março deste ano as televisões da Bélgica começaram a avançar a notícia de que o aeroporto de Zaventem tinha acabado de ser alvo de um atentado à bomba, o homem suspeito de ter abatido a tiro dois turistas israelitas, um voluntário francês e um funcionário belga num ataque ao Museu Judaico de Bruxelas em maio de 2014 soube logo quem eram os responsáveis.

De acordo com a cadeia belga RTBF, Mehdi Nemmouche, que tem uma televisão na sua cela na prisão de segurança máxima de Bruges, nomeou de imediato os atacantes assim que viu as imagens do atentado no maior aeroporto da capital belga, ao qual se seguiu um outro ataque suicida na estação de metro de Maelbeek.

A sua cela fica situada a poucos metros da cela onde Salah Abdeslam está a ser mantido desde que foi capturado a 18 de março no subúrbio bruxelense de Molenbeek, quatro dias antes dos atentados reivindicados pelo autoproclamado Estado Islâmico (Daesh).

O suspeito dos atentados que, em novembro, provocaram 120 mortos em Paris andou a monte até esse dia e ao ser capturado foi de imediato levado para a prisão de Bruges. Na sua cela não há televisão, mas na de Nemmouche há e assim que o franco-argelino viu as notícias do ataque no aeroporto belga, nesse 22 de março, passou informações precisas a Abdeslam sobre o que estava a acontecer, avança o site belga.

Ao olhar para a televisão e vendo as imagens do caos em Zaventem, Nemmouche terá dito que "Brahim e Soufiane" estavam mortos, referindo-se a Brahim el-Bakraoui e a Soufiane Kayal, o pseudónimo usado por Najim Laachraoui, os dois homens que se viria a confirmar terem sido os bombistas suicidas responsáveis por esse primeiro ataque.

Também de acordo com a RTBF, o homem que, em 2014, foi apresentado como um "lobo solitário" que não pertenceria a qualquer célula terrorista disse ainda "agora falta o Abrini", em referência a Mohamed Abrini, o famoso "homem do chapéu" que foi captado pelo circuito de CCTV do aeroporto ao lado de El-Bakraoui e Laachraoui.

Abrini fugiu do local sem detonar os explosivos que transportava na mala e viria a ser capturado em abril, altura em que disse aos investigadores que não só conhecia Abdeslam como tinha andado com ele em fuga durante os quatro meses em que o homem esteve escondido das autoridades belgas e francesas após os atentados de Paris.

Quando Nemmouche fez estas declarações, identificando certeiramente os responsáveis pelos atentados de Bruxelas, ainda nenhum detalhe ou informação tinham sido avançados sobre os suspeitos desses ataques, que vitimaram 32 pessoas.