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China diz que nova líder de Taiwan tem comportamento “errático e extremista” porque é uma “mulher solteira”

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DAMIR SAGOLJ/REUTERS

Num artigo de opinião publicado esta quarta-feira, a agência estatal chinesa diz que Tsai Ing-wen tem “estilo extremista” porque não é casada, em referência à sua postura independentista face a Pequim

Num artigo de opinião divulgado e partilhado pelos media estatais chineses, a nova líder de Taiwan é acusada de ter um "estilo extremista" e um "comportamento errático" porque é uma mulher solteira, o que a leva a carregar um "fardo emocional" de não ter um marido e uma família.

O artigo, assinado por Wang Weixing, foi originalmente publicado esta quarta-feira de manhã na agência estatal chinesa Xinhua, mas foi entretanto apagado desse website, embora continue a poder ser encontrado em vários blogues e e portais de notícias do país, aponta a BBC.

Tsai Ing-wen tornou-se a primeira mulher a ser eleita para a presidência de Taiwan em janeiro, pondo fim ao mandato de oito anos do Presidente pró-Pequim, Ma Ying-jeou. O seu Partido Democrata Progressista (DPP) defende a independência da ilha.

Quando venceu as presidenciais à primeira volta, Tsai prometeu "preservar o statu quo" nas relações com o regime chinês, mas acrescentou que este tem de respeitar a democracia de Taiwan e a sua soberania, declarações que voltou a repetir quando tomou posse no final da semana passada.

No artigo publicado esta quarta-feira, Wang, um conselheiro militar do Partido Comunista Chinês, diz que a nova Presidente de Taiwan defende "políticas extremistas" por não ser casada. "Sendo uma política do sexo feminino solteira, Tsai Ing-wen não tem o lado emocional do amor, da família ou de crianças portanto o seu estilo e estratégias políticas são mais emocionais, pessoais e extremas."

Pequim considera Taiwan parte do seu território e quer forçar a reunificação, se necessário pela força, desde que a ilha se declarou independente em 1949. Ao longo do percurso da China em direção à posição dominante global que hoje ocupa, foi sendo progressivamente marginalizada na cena diplomática, sendo apenas oficialmente reconhecida como país por 22 nações.