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Obama no Vietname. “Porque houve guerreiros que procuraram a paz, hoje estamos mais próximos do que nunca”

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Ao segundo dia da visita ao Vietname, Barack Obama deixou a capital Fanói e voou para Ho Chi Minh

LUONG THAI LINH / EPA

Presidente norte-americano discursou esta terça-feira de manhã em Hanói sobre a nova parceria comercial e estreitamento de relações com o Vietname, antes de seguir para Ho Chi Minh

Um dia depois de ter anunciado o fim do embargo de armas imposto ao Vietname há quase 50 anos, Barack Obama fez esta manhã um discurso transmitido em direto na internet, a partir da capital vietnamita, Hanói, ao segundo dia da sua visita oficial, no qual confirmou o início de uma parceria comercial entre os dois países e declarou que foi graças à coragem e aos esforços das tropas americanas "pela paz" durante a Guerra do Vietname (1955-1975) que hoje os antigos rivais estão "mais próximos do que nunca" e estão a "embarcar juntos numa viagem de 100 anos".

"Porque os nossos veteranos nos mostraram o caminho, porque houve guerreiros que tiveram a coragem de procurar a paz, os nossos povos estão hoje mais próximos do que nunca", declarou o Presidente norte-americano ao segundo dia de visita oficial ao país, na capital, antes de seguir para a rota comercial de Ho Chi Minh. "As nossas trocas comerciais aumentaram, os nossos estudantes e bolseiros aprenderam juntos. Nós recebemos mais estudantes vietnamitas na América do que de qualquer outro país do Sudeste Asiático. E a cada ano, vocês recebem mais e mais turistas americanos, incluindo jovens mochileiros americanos."

O discurso que formaliza uma nova era nas relações entre os dois antigos rivais aconteceu um dia depois de Obama ter anunciado o fim do embargo de armamento imposto ao país há quase meio século, mas não sem avisos sobre a necessidade de as autoridades respeitarem os direitos humanos e a liberdade de expressão.

"Encorajar estes direitos não representa uma ameaça à estabilidade" do Vietname, sublinhou Obama esta terça-feira de manhã, depois de se ter encontrado com seis ativistas vietnamitas e de ter reconhecido e criticado o facto de vários outros terem sido impedidos de se encontrarem e falarem com ele.

No mesmo discurso, e apesar de não ter feito referências à China, o Presidente norte-americano defendeu o direito à livre navegação dos mares da região e sublinhou que "grandes nações não devem intimidar as mais pequenas". Vários analistas dizem que o fim do embargo de armas ao Vietname, depois de um alívio dessa medida em 2014, surge nesta altura para fazer frente às crescentes ameaças da China e às suas movimentações e construções no Mar do Sul da China.