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Internacional

Greve contra reforma laboral bloqueia as oito refinarias petrolíferas de França

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CHARLY TRIBALLEAU

Em declarações a partir de Israel, onde está esta terça-feira em visita oficial, primeiro-ministro garante que Governo não vai retroceder na proposta de lei conforme exigido pelos grevistas

Mais um dia, mais manifestações em França contra a reforma laboral que o Governo de François Hollande continua a tentar aplicar. Esta terça-feira de manhã, uma greve convocada pela CGT, uma das principais sindicais francesas, levou à paralisação das oito refinarias petrolíferas de França, num braço-de-ferro que não dá mostras de terminar, com os grevistas a bloquearem igualmente vários depósitos de petróleo.

De acordo com a BBC, cerca de 20% das bombas de gasolina estão neste momento sem oferta ou perto disso. Na refinaria de Fos-sur-Mer, em Marselha, manifestantes e a polícia entraram em confrontos quando os agentes tentaram desmantelar um piquete de greve.

A partir de Israel, onde está em visita oficial, o primeiro-ministro Manuel Valls insistiu que o projeto-lei não vai ser alterado e prometeu não ceder a quaisquer exigências desta ou de outras centrais sindicais no que toca à proposta de reforma laboral.

“Já chega, é insuportável ver este tipo de coisas”, declarou à rádio France 1. “A CGT irá ripostar contra uma resposta firma do Governo. Vamos limpar todos os sítios que estão a ser bloqueados por esta organização”, prometeu Valls.

O Presidente François Hollande declarou por sua vez em Paris que as ações de membros da CGT esta manhã são uma “estratégia levada a cabo por uma minoria” que se opõe à proposta de lei e que “não merece qualquer forma de respeito daqueles que têm reivindicações legítimas”. “Este bloqueio é uma mera estratégia apoiada por uma minoria”, disse citado pelo “Le Monde”.

Pode ser apenas uma minoria que apoia o bloqueio e paralisação das refinarias, mas não é uma minoria que se opõe à proposta do seu Governo para alterar as leis do trabalho em vigor. No início de abril, mais de 100 mil pessoas levaram a cabo manifestações em todo o país contra os planos do Executivo de Hollande para, entre outras medidas, alargar o horário de trabalho, dar primazia às empresas em acordos coletivos e definir um teto máximo de indemnizações em caso de despedimentos coletivos.

A 12 de maio, a Assembleia Nacional debateu — e em útima instância chumbou — uma moção de censura ao Governo de Hollande que foi apresentada pela direita para capitalizar precisamente do descontentamento por causa da reforma laboral proposta. Esse descontentamento já levou a cisões entre a esquerda, inclusivamente entre os socialistas que apoiam e que estão contra o Presidente. A guerra interna no PS começou em fevereiro, quando um grupo de membros do partido de Hollande assinou uma carta aberta publicada no “Le Monde” onde criticava as políticas do atual Governo.

Alguns sindicatos dizem-se disponíveis para negociar as alíneas da reforma proposta, mas outros, como a CGT, querem que o Governo abandone completamente os planos para alterar as regras do Trabalho. O projeto-lei avançou no Parlamento sem qualquer votação pelos deputados depois de o Governo ter alterado algumas propostas em março.