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Daesh espalha “batalhões da morte” em Fallujah para impedir a proteção de civis

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AHMAD AL-RUBAYE

Forças iraquianas estão preparadas para lançar enorme ofensiva contra um dos dois últimos redutos dos jiadistas, a 65 quilómetros de Bagdade, mas grupo ordenou que batalhões matem qualquer pessoa que tente fugir ou que se renda ao exército. Há 50 mil civis em risco

Na segunda-feira, quando o Iraque anunciou o início de uma enorme ofensiva militar contra o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) em Fallujah, um chefe do exército apareceu na televisão estatal a pedir à população que fugisse ou que colocasse bandeiras brancas no cimo das suas casas para impedir a morte de (mais) civis. Mas esta terça-feira, surgiram notícias de que os mais de 50 mil habitantes da cidade, localizada a 65 quilómetros da capital, Bagdade, estão a ser impedidos de sair, com o Daesh a espalhar nas ruas esquadrões da morte que têm ordens para matar qualquer pessoa que tente fugir ou que tente render-se ao exército.

Esta manhã, um porta-voz da ONU pediu ao Governo iraquiano que abra “corredores seguros” para garantir que os civis tenham forma de escapar ao jugo do Daesh, alertando que há mais de 50 mil pessoas em “enorme risco” neste momento. “Um dos problemas é que os civis enfrentam graves perigos se tentarem fugir”, declarou Stephane Dujarric, citado pela AFP. “É importante que tenham corredores seguros que possam usar.”

De acordo com o porta-voz da organização, “alguns” civis conseguiram escapar na segunda-feira, estando agora a receber assistência médica, abrigo e água. As mulheres e crianças foram levadas para o sul de Fallujah e os homens para o centro da província de Anbar, a fim de se conduzirem rastreios de segurança. A mesma fonte não avançou números específicos de quantas pessoas conseguiram fugir antes de o Daesh espalhar esquadrões da morte nas ruas da cidade.

Tomada pelos jiadistas em janeiro de 2014, Fallujah é um importante centro de comércio de maioria sunita que serve de corredor direto até Bagdade. Se o exército iraquiano for bem-sucedido nos esforços para retomar a cidade, um dos dois últimos redutos do grupo extremista no país, tal traduzir-se-á num enorme golpe para as aspirações dos jiadistas de criarem um califado na região.

Aponta o jornal “The Independent” que, na segunda-feira, houve um “desenvolvimento interessante” na forma de relatos de que três militantes do Daesh terão sido mortos dentro de Fallujah por locais, naquele que parece ser o primeiro sinal de resistência armada pelos civis que vivem sob domínio dos jiadistas há mais de dois anos, provavelmente alumiados pela ofensiva lançada ontem de manhã.

Unidades do exército deram início à operação para recapturar a cidade às primeiras horas da madrugada de segunda-feira, depois de uma campanha de bombardeamentos aéreos e de ataques com artilharia pesada no terreno durante a noite anterior. Agora, a ONU está a pedir às forças iraquianas que se concentrem em garantir passagem segura aos civis encurralados em Fallujah antes de prosseguirem com os ataques.