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Quatro em cada cinco pessoas dizem “bem-vindos, refugiados”

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JONATHAN NACKSTRAND

De acordo com o primeiro estudo global sobre a perceção e atitudes para com os milhões de pessoas que fogem de guerras e perseguições, comissionado pela Amnistia Internacional, a China ocupa o primeiro lugar do ranking a favor da integração e a Rússia é o país menos acolhedor dos 27 que participaram na investigação. Portugal ficou de fora

"Quando a Amnistia Internacional perguntou a mais de 27 mil pessoas de 27 países se acolheriam refugiados, a resposta foi incrível: quatro em cada cinco responderam com um retumbante 'sim!'."

Assim é apresentada a primeira conclusão de um estudo patrocinado pela organização não-governamental apresentado esta sexta-feira para analisar as opiniões e atitudes de pessoas de várias nacionalidades em relação aos que fogem de guerras e perseguições. É a primeira investigação desta natureza a ser levada a cabo a nível global, numa altura em que há mais de 60 milhões de pessoas deslocadas no mundo, o equivalente a uma em cada 122 pessoas, naquela que é a cifra mais alta registada desde a II Guerra Mundial.

De acordo com o inquérito, uma vasta maioria dos inquiridos (80%) é a favor de integrar os refugiados nas suas sociedades, com a China, a Alemanha e o Reino Unido a encabeçarem a lista de países que são mais a favor do acolhimento destas pessoas, contra a Rússia, que ocupa a última posição.

Mais de 27 mil pessoas de Espanha, Alemanha, Jordânia, China, México, Argentina, Chile, Canadá, Reino Unido, Paquistão, Grécia, Coreia do Sul, Austrália, Gana, França, Índia, Brasil, Líbano, Quénia, Nigéria, Indonésia, Estados Unidos, Tailândia, Turquia, África do Sul, Polónia e Rússia participaram na sondagem comissionada pela Amnistia — na qual uma em cada dez pessoas disse que estaria disposta a dar guarida temporária a refugiados nas suas casas. O número sobre para três em cada dez quando questionadas sobre se aceitarem a integração de refugiados nos seus bairros.

Os números positivos destacados pela organização sob fortes aplausos contrariam a postura de vários Governos nacionais da UE de outros países do mundo, que continuam a dizer não ter possibilidades de acolher ou integrar refugiados por causa de problemas económicos ou posturas xenófobas.

"Estes números falam por si", defende o secretário-geral da Amnistia, Salil Shetty. "As pessoas estão preparadas para fazerem os refugiados sentir-se bem-vindos, mas as respostas desumanas dos Governos à crise de refugiados estão totalmente desfasadas das visões dos seus próprios cidadãos."

Com os resultados do estudo, a organização criou um termómetro que vai do mais quente — os que responderam afirmativamente à pergunta: aceitaria acolher refugiados em sua casa — até ao mais frio — os que responderam negativamente à pergunta: aceitaria que o seu país acolhesse refugiados — passando pelo acolhimento e integração destas pessoas nos seus bairros, cidades e territórios nacionais.

A China ocupa o primeiro lugar do ranking batizado "Bem-vindos, Refugiados", com 46% dos chineses a dizerem-se disponíveis para acolher refugiados nas suas próprias casas e muitos mais a defenderem a integração destas pessoas no país. Logo a seguir surgem os alemães, com 56% deles a dizerem-se a favor de acolher refugiados nos seus bairros, e os britânicos, 29% dos quais abririam as portas das suas casas e 47% aceitá-los-iam nos seus bairros.

Numa análise mais geral dos dados, sobre quem apoia e quem se opõe ao acolhimento de refugiados nos seus países, 87% dos britânicos dizem a ser a favor, a par de 85% dos australianos. Esses valores sobem para os níveis mais altos de todos na Alemanha e na Jordânia: no primeiro, o Estado-membro da UE que acolheu mais de um milhão de refugiados em 2015, 96% dos inquiridos continuam a apoiar a integração destas pessoas no país; no segundo, uma pequena nação que neste momento alberga mais de 600 mil refugiados da Síria, 94% dos que participaram no inquérito responderam o mesmo.

A fechar a lista como países menos acolhedores estão a Rússia — onde apenas 18% dos inquiridos são a favor de abrir as fronteiras, mas não as suas cidades, bairros ou casas, a estas pessoas — a Tailândia e a Índia.