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Os salteadores do cofre perdido

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É um tesouro das Mil e uma Noites herdado de Kadhafi. Mas uns têm a chave, outros o cofre e ninguém se entende

Em Bayda, a quarta maior cidade da Líbia, os funcionários públicos não recebem ordenado há meses e falta dinheiro para quase tudo. Porém, na cave do banco central há um cofre com moedas de ouro e prata que valem 186 milhões de dólares. Só há um problema: ninguém o consegue abrir.

Em 1979, Kadhafi comemorou o 10º aniversário da sua chegada ao poder com pompa, circunstância e cunhagem de moedas de ouro e de prata com a sua efígie. Pesavam 16 e 28 gramas, respetivamente, e não se destinavam à circulação mas aos leais servidores do ditador e aos raros dignitários estrangeiros que visitavam o país. Após a sua queda, em 2011, as 190.000 moedas de prata e 84.000 de ouro ficaram no cofre-forte do banco central de Bayda, no leste do país, mas os códigos e os planos do cofre ficaram em Tripoli, no oeste.

Ora Ali El Hibri, governador do banco de Bayda, responde perante um governo que controla o leste do país. E que se opõe a outro governo que controla Tripoli e se recusa a entregar os códigos por temer que o dinheiro financie milícias rivais. Perante a impossibilidade de abrir o cofre, El Hibri decidiu recorrer a um duo de arrombadores que durante a rebelião ganhou fama pela sua eficiência no acesso aos cofres do regime.

“The Wall Street Journal” entrevistou um dos arrombadores que se identificou como Khaled e disse ser engenheiro, referindo que o seu parceiro, Al-Fitouri, é serralheiro e especialista em arrombar cofres, casas e carros. A missão que têm pela frente não é fácil. Trata-se de um antiquado mas resistente cofre inglês, isolado por uma espessa parede protetora.

Primeiro vão furar uma passagem de 40x40 cm na parede de cimento armado. Depois, o serralheiro vai usar o que descreveu como “técnicas especiais” para descobrir o código de cinco dígitos que abre a porta dupla de aço que dá acesso ao tesouro de Ali Babá. Al-Fitouri recusa-se a dar mais pormenores, para não desencadear uma onda de assaltos a bancos. Em Bayda há desconfiança e teme-se que a fortuna acabe roubada, mas a El Hibri só resta esperar que os arrombadores consigam fazer o seu trabalho, para que possa fazer o dele.