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Daesh usa prisioneiros para testes químicos

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Marco Di Lauro / Getty Images

O grupo jiadista transferiu no mês passado a sua operação de armas químicas para áreas residenciais do Iraque, mais populosas, com o intuito de evitar que estas sejam atingidas por ataques da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos

Al-Mohandseen era um bairro cristão até ter sido capturado pelo Daesh. Nas últimas semanas, várias casas foram tomadas por jiadistas e nas ruas apareceram camiões sem matrículas e dezenas de cães e coelhos mortos. Foram aí largados, junto a contentores do lixo, depois de terem sido usados em testes químicos nos laboratórios improvisados do autodenominado Estado Islâmico.

Segundo contaram residentes da cidade iraquiana de Mosul ao jornal britânico “The Telegraph”, o Daesh transferiu no mês passado a sua operação de armas químicas das universidades de Mossul e Tel Afar para áreas residenciais do Iraque, mais populosas, com o intuito de evitar que estas sejam atingidas por ataques da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos.

Segundo fontes a que o jornal teve acesso, o grupo terrorista tem testado soluções clorídricas caseiras e gás mostarda em prisioneiros, detidos numa prisão secreta em Mossul, para testar a sua toxicidade. E tem ainda investido no fabrico de armas químicas para serem usadas em ataques no Iraque, na Síria, mas também contra o Ocidente - já usadas, aliás, contra as forças peshmerga curdas no norte do Iraque e da Síria, que lutam contra estes ataques com um equipamento muito rudimentar.

O objetivo do Daesh, segundo explicou ao “El Mundo” o tenente iraquiano Luhman Abdelrrahman, é o tentar “ferir o nosso otimismo, porque este tipo de investidas suscita muito medo.” O Daesh “dispõe de especialistas em armas químicas, alguns deles que estiveram no exército de Saddam.”

Liderada anteriormente por Sleiman Daoud al-Afari (capturado recentemente durante um raide das forças especiais norte-americanas em março), a unidade especial de investigação de armas químicas do Daesh é constituída por especialistas estrangeiros e cientistas iraquianos que trabalharam sob o regime de Saddam Hussein. Atualmente, os Estados Unidos suspeitam que o anterior líder foi substituído por Abu Shaima, médico iraquiano que trabalhou na Universidade de Bagdade.