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“Vou ser a candidata do meu partido às presidenciais”, garante Hillary Clinton

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Scott Olson

Em entrevista à CNN, a ex-secretária de Estado diz que a disputa pela nomeação democrata com o senador Bernie Sanders “chegou efetivamente ao fim”, numa altura em que Donald Trump parece reunir cada vez mais consenso dentro do Partido Republicano

Hillary Clinton diz que a corrida pela nomeação do Partido Democrata para as eleições presidenciais de novembro chegou efetivamente ao fim, dizendo em entrevista à CNN que é altura de Bernie Sanders, o seu único rival na corrida, desistir das suas aspirações.

"Vou ser a nomeada do meu partido", declarou ao canal norte-americano a ex-secretária de Estado. "Isso está concluído com efeito. Não há hipótese de não ser eu [a candidata às presidenciais]."

Desde que Donald Trump conseguiu garantir a provável nomeação do Partido Republicano que Sanders, o senador pelo Vermont tradicionalmente independente mas candidato à nomeação democrata, está sob enorme pressão para desistir da corrida, deixando o caminho aberto à rival para destronar o magnata populista e xenófobo em novembro.

Ainda assim, depois de na terça-feira ter vencido as primárias do Oregon e ter ficado muito perto de Clinton nas do Kentucky, Sanders voltou a prometer "lutar até ao último voto" e até à Convenção Nacional do partido, que este ano acontecerá entre 25 e 28 de julho em Filadélfia.

Os líderes do partido estão cada vez mais preocupados com as cisões entre democratas, culpando Sanders por não desistir da corrida e assim dificultar as hipóteses de derrotar Trump nas urnas em novembro. No fim de semana, antes das primárias no Kentucky e no Oregon, membros do partido que apoiam um e outro candidato entraram numa disputa na mini-convenção democrata que teve lugar no Nevada.

Sondagens (des)favoráveis

Esta quinta-feira, o "New York Times" avançou que, depois de vários meses de cisões dentro do Partido Republicano por causa da crescente popularidade de Trump nas votações primárias iniciadas em fevereiro, as mais recentes sondagens mostram agora que há cada mais vez mais consenso em torno do incendiário candidato.

De acordo com o inquérito para o NYT/CBS News, uma "esmagadora maioria" dos eleitores registados como republicanos defendem que a liderança do partido deve unir-se para dar o seu apoio ao contestado candidato presidencial.

Se as eleições fossem hoje, apurou a mesma sondagem, e fossem disputadas entre Trump e Clinton, a democrata destronaria o rival republicano com 47% vs. 41% dos votos, uma redução da distância que os separa em relação a sondagens levadas a cabo em abril, quando Clinton estava dez pontos percentuais à frente de Trump. E se as presidenciais fossem disputadas hoje por Sanders, o senador ganharia com 51% dos votos contra 38% para Trump, aponta o inquérito mais recente.

Já de acordo com uma sondagem da Fox News divulgada na quarta-feira, se as presidenciais fossem disputadas agora entre Trump e Clinton, o populista republicano derrotaria a rival democrata com 45% contra 42% dos votos.

Matemática dos delegados

A suportar a insistência de Clinton de que a corrida pela nomeação democrata acabou está a distribuição atual dos delegados eleitorais, essenciais para garantir uma nomeação no processo de primárias dos Estados Unidos.

Neste momento, a ex-secretária de Estado de Barack Obama já tem garantidos 1768 delegados contra os 1494 angariados por Sanders ao longo das primárias. Um candidato precisa de ter o apoio de pelo menos 2383 delegados para conseguir a nomeação do partido democrata.

O senador continua a insistir que a distância que os separa pode ser revertida, prometendo lutar por cada um dos superdelegados, o campo onde Clinton tem efetivamente uma enorme vantagem sobre o rival: entre os membros do partido eleitos para cargos públicos que não estão abrangidos pelo resultado das votações dos estados que representam, de um total de 714 a candidata tem do seu lado 525, contra os 39 que já deram o seu apoio público a Sanders.

Considerando que estes representantes não têm disciplina de voto, é possível, ainda que para já improvável, que alguns ou muitos deles optem por apoiar Sanders em vez de Clinton e revertam o que a candidata diz ser um assunto encerrado.

Dentro de pouco mais de duas semanas, a 7 de junho, acontece a última grande etapa das primárias que deverá definir finalmente quem será o candidato democrata às presidenciais. Nessa terça-feira, os eleitores dos estados Califórnia, Montana, New Jersey, Novo México, Dakota do Norte e Dakota do Sul vão escolher qual dos candidatos querem ver a disputar a presidência. Em disputa estarão 806 delegados, com o processo de votações a terminar uma semana depois, a 14 de junho, com as primárias democratas em Washington DC.