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Expresso

Internacional

Toma posse primeira mulher eleita para Presidente de Taiwan

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Ashley Pon

Tsai Ing-wen venceu as eleições de janeiro com confortável maioria mas enfrenta expectativas internas e pressões redobradas da China, que continua a considerar a ilha parte do seu território e quer forçar a reunificação

Tsai Ing-wen, a primeira mulher a ser eleita Presidente em Taiwan, tomou posse esta sexta-feira sob pressão para corresponder às elevadas expectativas da maioria dos eleitores, que lhe deram a vitória nas eleições de janeiro e perante tentativas da China de a manter na linha ainda antes de assumir o cargo.

Apesar de ter recebido um forte apoio da população nas presidenciais, sendo eleita à primeira volta com 56,1% dos votos e garantindo ao seu Partido Democrata Progressista (DPP) o controlo dos ramos executivo e legislativo, as crescentes tensões com a China ameaçam à partida o seu mandato.

A primeira vitória de Tsai foi conseguir tirar do poder o Partido Kuomintang, próximo da China e promotor de uma aproximação a Pequim. Quando os resultados das eleições foram anunciados, a Presidente eleita, de 59 anos, prometeu "preservar o statu quo" nas relações com o regime chinês, mas acrescentou que este tem de respeitar a democracia de Taiwan e sublinhou que os dois lados devem garantir que não haverá provocações.

Mas as provocações não tardaram: apesar de só ter tomado posse esta sexta-feira, quatro meses depois das eleições, em abril a China pressionou a nova administração de Taiwan ao levar a cabo o que organizações não-governamentais dizem ter sido uma "grave violação dos Direitos Humanos básicos", quando 45 nacionais de Taiwan foram deportados do Quénia para a China continental. O grupo foi obrigado a aparecer na televisão estatal chinesa a confessar crimes pelos quais já tinham sido absolvidos no Quénia.

Apesar de o DPP ser independentista, a líder eleita tentou usar um tom comedido no seu discurso de vitória em janeiro, numa tentativa de contribuir para as boas relações com a China em respeito da independência da ilha que foi firmada em 1949 — quando os nacionalistas do KMT ali se refugiaram depois de terem sido derrotados pelos comunistas que, no continente, fundariam a República Popular da China.

Pequim considera Taiwan parte do seu território e quer forçar a reunificação, se necessário pela força. Durante o percurso da China em direção à posição dominante que ocupa agora no mundo, Taiwan foi sendo progressivamente marginalizada na cena diplomática, sendo apenas oficialmente reconhecida por 22 países.