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Salah Abdeslam interrogado pelos juízes de instrução franceses

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ÉTIENNE LAURENT / EPA

Autoridades francesas esperam muito do interrogatório do único sobrevivente dos comandos terroristas suicidas que mataram 130 pessoas em Paris em novembro passado. Mas Salah Abdeslam diz que foi “um simples executante”

Salah Abdeslam está a ser interrogado desde o início desta manhã e as autoridades francesas consideram que o seu testemunho será capital para contar como foram organizados os atentados em Paris e como funcionam as redes terroristas na Europa.

O alegado terrorista “quer explicar-se”, segundo informou o seu advogado. Mas Abdeslam tem repetido que foi apenas “um simples executante” e não o organizador das operações kamikazes que colocaram em pânico, a 13 de novembro do ano passado, a capital francesa. Os juízes acham, no entanto, que ele, atualmente preso na região parisiense, é uma peça fundamental no processo, até porque é o único sobrevivente dos atentados.

As autoridades francesas consideram que este francês de 26 anos de idade, nascido na Bélgica, teve um papel importante na preparação dos ataques terroristas por ter multiplicado, num primeiro tempo, viagens através da Europa com membros da rede terrorista, e de, posteriormente, ter alugado carros e apartamentos na região parisiense para os terroristas que cometeram a chacina. Foi ele próprio, aliás, que conduziu de carro três dos terroristas suicidas para os arredores do Estádio de França, em Saint-Denis, junto a Paris.

Com base nestes dados, François Molins, procurador de Paris, afirma que ele “foi uma peça-chave na constituição dos comandos, na preparação logística dos atentados e porque ele próprio estava presente em Paris a 13 de novembro”.

Salah Abdeslam vai também ser interrogado sobre se ele deveria ou não ser um dos terroristas suicidas do Estádio de França, se teve algum problema técnico com o seu cinto de explosivos ou se estaria outro atentado em preparação em Paris além dos que se verificaram na sala do Bataclan e em diversas esplanadas do centro da capital francesa.

Depois de ter sido preso na Bélgica no passado dia 18 de março, o alegado terrorista garantiu que desconhecia Abdelhamid Abaaoud, morto nos arredores de Paris e considerado o coordenador dos atentados, mas as autoridades dos dois países dizem ter a prova de que ambos se conheciam desde a infância.

O procurador François Molins parece considerar que ele sabe muito mais do que tem dito aos polícias e magistrados belgas e franceses. Designadamente porque, nos meses que precederam os atentados, terá sido ele que transportou a maioria dos membros dos comandos que atacaram Paris através de vários países europeus.

Os juízes querem também saber como funcionaram os contactos entre eles e de quem – e de que forma – Abdeslam recebeu as ordens para a organização das operações terroristas.