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Áustria vai ter o primeiro chefe de Estado de extrema-direita da UE?

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Sondagens antecipam a vitória de Norbert Hofer, da extrema-direita (à direita), sobre o candidato d'Os Verdes, Alexander Van der Bellen, na última volta das presidenciais

HANS PUNZ

É o que apontam as sondagens antes da segunda volta das eleições presidenciais austríacas, disputada este domingo entre o vencedor do primeiro turno, o nacionalista Norbert Hofer, e o candidato apoiado pel'Os Verdes, Alexander Van der Bellen

O candidato presidencial do Partido da Liberdade (FPO, de extrema-direita), e o seu rival, apoiado pelo partido Os Verdes, vão disputar a segunda e última volta das eleições presidenciais da Áustria no próximo domingo, num plebiscito que poderá transformar o país no primeiro Estado-membro da União Europeia a ser liderado por um nacionalista extremista.

Norbert Hofer, do FPO, foi quem venceu a primeira volta eleitoral em abril, angariando uma maioria dos votos mas não os suficientes para evitar um segundo turno. Esta sexta-feira, o candidato da extrema-direita e o esquerdista Alexander Van der Bellen levam a cabo os últimos comícios de campanha antes da votação do fim de semana, da qual Hofer deverá sair vencedor, a crer nas últimas sondagens.

Esta quinta-feira os dois rivais trocaram acusações no último debate televisivo antes do plesbicito, com Van der Bellen, de 72 anos, a acusar Hofer de querer usar o cargo, de poder largamente simbólico, para descartar qualquer proposta do governo que não lhe agrade – numa referência indireta ao facto de o candidato de extrema-direita, de 45 anos, ter manifestado o desejo de destituir governos e nomear novas chancelarias, apesar dos poderes limitados do chefe de Estado sob o regime semipresidencialista austríaco.

Em resposta à acusação, Hofer contrapôs que será o candidato d'Os Verdes quem vai recusar-se a dar posse a um chanceler do Partido da Liberdade nas eleições legislativas marcadas para 2018, falando com a certeza de que a popularidade do partido vai continuar em crescendo nos próximos dois anos.

Na primeira ronda presidencial, Hofer assegurou 35% dos votos contra 21% para Van der Bellen, alumiando receios de uma viragem do país ao mais extremo da direita pela primeira vez desde 1945. Desde a II Guerra Mundial, esta foi a primeira vez que nenhum dos candidatos dos dois principais partidos políticos do país não passaram à segunda volta presidencial.

Tanto o Partido Social Democrata como o Partido Popular têm governado a Áustria há décadas, a solo ou em coligações. A vitória do candidato da extrema-direita em abril reflete o profundo descontentamento da população austríaca – como de outros Estados-membros da UE – com o statu quo, recessões económicas e imigração.