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Voo MS804 da EgyptAir. Terá sido um atentado?

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MOHAMED ABD EL GHANY / Reuters

Esta é uma de muitas questões relacionadas com o desaparecimento do voo que partiu na noite de quarta-feira do aeroporto Charles de Gaulle em Paris em direção ao Cairo. Primeiro-ministro egípcio não exclui qualquer possibilidade, incluindo a de que o Airbus A320 com 66 pessoas a bordo, incluindo um português, possa ter sido alvo de um ataque terrorista. O capitão de um navio mercante revelou ter visto “uma chama no céu” a cerca de 130 milhas náuticas a sul da ilha grega de Karpathos. Um alerta dado pelo aparelho indica que teria um problema técnico

Já se sabe o que aconteceu ao voo MS804 da EgyptAir?
Para já não se sabe nada com certeza, mas segundo a autoridade de aviação civil egípcia e a companhia, tudo aponta para que o avião tenha caído no mar Mediterrâneo três horas e 40 minutos depois de ter descolado de Paris.

O voo MS804 partiu do aeroporto Charles de Gaulle às 23h09 locais (menos uma hora em Lisboa), com destino à capital egípcia, e desapareceu dos radares pelas 2h45 locais, dez minutos depois do último contacto dos pilotos

Segundo uma fonte do Ministério da Defesa da Grécia citada pela Reuters, o capitão de um navio mercante revelou ter visto "uma chama no céu" a cerca de 130 milhas náuticas a sul da ilha grega de Karpathos.

A Marinha, Força Aérea, o Exército e a Guarda Costeira do Egito estão envolvidos nas buscas que estão a ser conduzidas na zona onde o avião foi detetado pela última vez antes de desaparecer dos radares, 180 quilómetros a norte da capital egípcia. A Grécia já enviou dois aviões e uma fragata para o local a fim de ajudar na operação.

Quem seguia a bordo do voo?
Inicialmente, a EgyptAir disse haver 69 pessoas a bordo, incluindo dez tripulantes, mas em pouco tempo atualizou esse número para um total de 66 passageiros: 56 deles civis, entre eles duas crianças e um bebé, sete membros da tripulação e uma equipa de segurança da companhia composta por três elementos.

Duas horas depois do alerta, a empresa divulgou a lista de nacionalidades dos passageiros: para além de um português, seguiam a bordo 30 egípcios, 15 franceses, dois iraquianos, um britânico, um belga, um saudita, um sudanês, um cidadão do Chade, um da Argélia, um canadiano e um nacional do Kuwait.

Que tipo de avião era?
Um Airbus A320, considerado um dos mais seguros da aviação comercial. É o mesmo modelo do avião que se despenhou em março de 2015 com 150 pessoas a bordo numa montanha dos Alpes franceses – por causa de problemas psiquiátricos do copiloto Andreas Lubitz – e do avião que, em 2009, amarou no rio Hudson, em Nova Iorque, quando o piloto tornado herói Charles Sullenberg conseguiu salvar todos os que seguiam a bordo após detetar uma falha nos sistemas.

Terá sido um atentado?
Depois do que aconteceu em outubro – quando um voo russo caiu na península do Sinai após ter partido da estância balnear egípcia de Sharm el-Sheikh por causa de explosivos instalados no aparelho, num ataque reivindicado por um filiado do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) na região – muitos questionaram de imediato se o voo MS804 poderá ter sido alvo de um atentado semelhante.

Tanto as autoridades egípcias como especialistas em aviação dizem ser improvável que o avião da EgyptAir tenha sido abatido, como aconteceu com um avião de passageiros em 2014 enquanto sobrevoava o Leste da Ucrânia.

A teoria de um possível ataque foi, em parte, alimentada pelo facto de não ter havido qualquer pedido de ajuda ou sinal de emergência emitido antes de o avião desaparecer dos radares. Essa versão inicial foi entretanto atualizada por fonte da companhia aérea, que disse sob anonimato que um aparelho de emergência do Airbus A320, possivelmente um transmissor de localização, emitiu um alerta duas horas antes de o voo desaparecer dos radares, o que indica que o avião teria um problema técnico. Desconhecendo-se qual seria o problema e o que o terá originado.

Fonte da EgyptAir avançou à Reuters, pelas 8h30 em Lisboa, que tudo aponta para que o avião tenha caído ao Mediterrâneo a norte da costa egípcia, sem avançar se a queda foi provocada por falhas nos sistemas ou na sequência de um ataque planeado.

O que dizem as autoridades?
Citado pelos media egípcios, o primeiro-ministro do país, Sherif Ismail, diz que nenhuma possibilidade está excluída para já, quando questionado pelos jornalistas no aeroporto do Cairo sobre a possibilidade de um atentado terrorista. Segundo Ismail, formado em engenharia, não houve nenhum pedido de ajuda pelos pilotos do MS804, mas as autoridades de aviação captaram de facto um "sinal" que foi emitido pelos sistemas de emergência do avião.

Também Manuel Valls, primeiro-ministro de França, diz não excluir qualquer possibilidade neste momento. "Nenhuma teoria pode ser excluída", disse em entrevista à rádio RTL a meio desta manhã. "Estamos em contacto com as autoridades egípcias, tanto civis como militares. Elas já enviaram equipas de reconhecimento para o local [do desaparecimento] e França está preparada para ajudar nas buscas se as autoridades egípcias o pedirem, claro."

Familiares dos passageiros a bordo que estão fora do Egito estão a ser aconselhados a ligar para o número +202-2598-9320 para obterem mais informações. O Ministério dos Negócios Estrangeiros de França também já criou um número de telefone de emergência: +33 1 43 17 55 95.

  • O que já se sabe e o que está por apurar sobre o voo MS804

    Últimas informações avançadas pela companhia dão conta de que um dos aparelhos de emergência do Airbus A320 emitiu um alerta duas horas antes de o voo ter desaparecido dos radares, em rota de Paris para o Cairo com 66 pessoas a bordo, incluindo um cidadão português