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Um português entre as 66 pessoas a bordo de voo que terá caído ao Mediterrâneo

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Yiannis Kourtoglou / Reuters

A bordo do voo MS804 da EgyptAir, que partiu de Paris em direção ao Cairo na noite de quarta-feira, seguiam sete tripulantes, três membros de equipa de segurança da companhia e 56 passageiros, entre eles duas crianças e um bebé. Avião desapareceu dos radares esta madrugada sem que os pilotos emitissem qualquer pedido de ajuda

Um avião de passageiros da EgyptAir que partiu do aeroporto Charles de Gaulle pelas 23h de quarta-feira (menos uma hora em Lisboa) em direção ao Cairo desapareceu dos radares enquanto sobrevoava o Mediterrâneo, cerca de três horas e 40 minutos após ter descolado de Paris.

A informação foi avançada pela empresa de aviação na sua conta oficial de Twitter, dando inicialmente conta de que haveria 59 passageiros e dez tripulantes a bordo. Esses números foram entretanto atualizados: 56 passageiros seguiam no voo MS804, incluindo duas crianças e um bebé, para além de sete tripulantes e três seguranças da empresa.

Segundo Ehab Mohy el-Deen, chefe da autoridade de aviação civil do Egito, o alerta do desaparecimento do voo foi dado por controladores aéreos gregos. "Eles [pilotos] não pediram ajuda via rádio nem perderam altitute, simplesmente desapareceram." O Airbus A320 estava a sobrevoar o Mediterrâneo a uma altitude de 37 mil pés quando desapareceu dos radares pela 1h45 da madrugada desta quinta-feira, hora portuguesa.

Para além de um cidadão português, entre os passageiros contam-se 30 nacionais egípcios, 15 franceses, dois iraquianos, um britânico, um belga, um saudita, um sudanês, um cidadão do Chade, um da Argélia, um canadiano e um nacional do Kuwait, avança a EgyptAir no Twitter.

A Reuters adianta, citando o jornal estatal egípcio "Ahram", que as autoridades de aviação perderam contacto com o MS804 dez minutos antes de o voo desaparecer dos radares, a 280 quilómetros a norte da costa egípcia. As autoridades gregas estão a ajudar nas buscas e Israel também já se prontificou a dar o seu apoio na operação.

Pelas 7h30 em Lisboa, a EgyptAir informou, citada pelo "The Guardian", que um aparelho de emergência do avião, possivelmente um transmissor de localização, emitiu um sinal de socorro cerca de duas horas antes de o voo ter desaparecido dos radares.

As autoridades egípcias dizem acreditar que o avião caiu ao mar quando já faltava pouco para alcançar o destino. De acordo com especialistas de segurança aérea, é improvável que o avião tenha sido abatido por um míssil, como aconteceu com um voo da Malaysia Airlines em 2014, enquanto sobrevoava o Leste da Ucrânia.

Para já, as autoridades também não creem que o voo MS804 tenha sido alvo de um atentado terrorista como o voo russo que, em outubro, caiu enquanto sobrevoava a Península do Sinai, 23 minutos depois de ter descolado da estância balnear egípcia Sharm el-Sheikh com 224 passageiros e tripulantes a bordo.

Um filiado do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) na região reivindicou o ataque ao Airbus A321-200, uma alegação que o Governo egípcio desmentiu durante várias semanas, mesmo quando as autoridades da Rússia e do Reino Unido avançaram que a queda do voo tinha sido provocada por uma bomba instalada no interior do avião. Em fevereiro, o Presidente do Egito Abdel Fattah el-Sisi confirmou que o voo foi alvo de um atentado terrorista, mas não especificou por que grupo.

O desaparecimento esta madrugada do voo MS804 acontece dois meses depois de um outro voo da EgyptAir ter feito manchetes em todo o mundo perante uma alegada tentativa de desvio por um homem que dizia estar a usar um colete de explosivos. Esse colete estava, afinal, repleto de telemóveis e era envergado por Seif El Din Mustafa, um egípcio que impediu o voo 181 de aterrar no Cairo porque queria "contactar a ex-mulher" a viver em Chipre.