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Temer escolhe suspeito de homicídio para líder de bancada

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EVARISTO SA/GETTY

O presidente interino convidou André Moura para líder da bancada do Governo no parlamento, onde esta quinta-feira será ouvido Eduardo Cunha. Moura é investigado por homícidio e corrupção e foi o braço-direito de Cunha na Câmara dos Deputados

As nomeações polémicas de Michel Temer não se esgotaram no elenco do seu governo, onde sete ministros estão envolvidos no escândalo Lava Jato, entre outros crimes. Agora foi a vez de escolher André Moura, um deputado do Partido Social Cristão (PSC) para líder da bancada governamental na câmara baixa do Parlamento.

Moura é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) em três processos por desvio de fundos públicos quando era prefeito de Pirambu, no estado de Sergipe, segundo a ONG Transparência Brasil, citada pela Agência Brasil. Além de réu no STF, o novo líder de bancada é também investigado por tentativa de homicídio e por envolvimento no desvio de fundos da Petrobrás. Segundo a agência, Moura também responde a processos na Justiça de Sergipe e no Tribunal de Contas da União (TCU).

Confirmado na tarde de quarta-feira, André Moura é também conhecido por ser o braço-direito de Eduardo Cunha, o presidente da câmara dos Deputados suspenso pelo STF há cerca de duas semanas. A sua escolha é interpretada como uma cedência ao chamado “centrão”, um bloco de 12 partidos de direita e centro-direita que age sobretudo em proveito próprio. Este grupo integra, entre outros, o PP, PSD, PRB – já representados no governo – e é liderado nos últimos quatros anos por Eduardo Cunha. E foi essencial na articulação do processo de destituição de Dilma Rousseff.
Segundo o a edição brasileira do “El País”, este bloco parlamentar tem entre 260 e 270 deputados, o que é mais do que suficiente para garantir a aprovação das propostas do governo numa câmara baixa composta por 513 deputados. Um peso vital para um executivo que não é eleito e tem que contar com o apoio do parlamento para governar.

André Moura tem negado todas acusações judiciais que correm contra ele. Recusou também que a sua escolha tivesse sido influenciada pelo presidente suspenso: “Eduardo Cunha não terá influência nenhuma na minha liderança do governo, sou líder do governo do presidente Michel Temer”, disse aos jornalistas quando foi confirmada a sua nomeação.

Cunha na Comissão de Ética

Eduardo Cunha apresenta hoje, quinta-feira, a sua defesa na comissão de Ética do parlamento onde há mais de seis meses enfrenta um processo de destituição por ter ocultado era titular de contas bancárias no estrangeiro. As autoridade helvéticas confirmaram que Cunha, a sua mulher e filha possuem várias contas na Suíça. Contas em que segundo a Polícia Federal e o Ministério Público serviram para Cunha depoistar pelo menos cinco milhões de dólares relacionados com subornos relacionados com os desvios da Petrobrás. A partir da presença de Cunha na comissão começa a correr o prazo de dez dias para que o deputado Marcos Rogério do DEM apresente o parecer, que será lido e votado no Conselho de Ética. Um conselho cuja composição já foi alterada três vezes só esta semana. Ao fim da tarde de ontem, quarta-feira saiu o deputado do PEN, Erivelton Santana, cujo o substituto será indicado pelo PSC, partido de André Moura.

Por intermédio de várias manobras dilatórias, Eduardo Cunha tem conseguido adiar a sua destituição pelos parlamentares. Recorde-se que o pedido de afastamento Cunha começou pouco antes deste ter iniciado o processo que levou à destituição de Dilma Rousseff.