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Áustria pode ter um presidente de extrema-direita este domingo

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Norbert Hofer, do FPÖ, obteve 36,4% dos votos

FILIP SINGER/EPA

Sondagens apontam para que Nobert Hofer, candidato do partido FPO, seja o grande vencedor das presidenciais de domingo. A confirmar-se, será a primeira vez que um candidato de extrema-direita se torna líder de um país membro da União Europeia por eleições.

Inês Rosado

Os austríacos terão de escolher, este domingo, se o atual Presidente Alexander Van der Bellen, do partido dos Verdes, permanece como chefe máximo do país ou se Norbert Hofer, do partido nacionalista FPO, sobe ao poder, tornando-se no primeiro candidato de extrema-direita a assumir essa posição num país da União Europeia.

Depois de, no início do mês, a corrida ter ficado reduzida aos dois candidatos - Hofer obteve 36,4% dos votos e Alexander Van der Bellen 21,34% - as sondagens apontam agora para a mudança na presidência: Norbert Hofer deverá ganhar as eleições com 53% dos votos.

A mudança de paradigma político na Áustria deve-se sobretudo à cada vez maior persistência do pensamento nacionalista. Parceiros da Alemanha no tempo da ditadura nazi, agora vivem à sua sombra. Os austríacos veem no partido liderado por Norbert Hofer e constituído por antigos militantes nazis a oportunidade de ganharem mais independência e voltarem a elevar os seus ideais, acima da "irmã" Alemanha e da União Europeia, na qual identificam muitos condicionamentos.

Crise e refugiados ajudam

Hofer não tem medo de mostrar os seus ideais anti-imigração e, numa altura em que a Europa é assolada pela crise dos refugiados, a Áustria demonstrou-se como um país cujo eleitorado se assume com muitas desconfianças relativamente à receção dos migrantes em solo austríaco. Mais uma vez, o pensamento nacionalista predomina, sustentado ainda mais pelo afastamento da corrida presidencial dos candidatos da coligação governamental, formada pelo partido social-democrata SPO e pelo partido democrata-cristão OVP, os dois grandes partidos de poder desde 1945. O eleitorado vê no FPO a alternativa para fugir à submissão imposta pela União Europeia.

Outra razão que explica a ascensão meteórica deste partido é a situação económica que a Ásutria atravessa no momento. Apesar de ser um dos membros mais prósperos da União Europeia - o seu PIB é 30% maior que a média europeia e a taxa de desemprego é de apenas 5,8% - a competitividade do país deteriorou-se, especialmente se comparado com a comparsa alemã, que pratica salários mais baixos. Assim, o ritmo de crescimento dos salários caiu para apenas 2% por ano, algo que não agradou aos austríaco. O medo adjacente de uma menor competitividade é observável através da variável da confiança do consumidor: a classe média na Áustria vive bem mas não tem confiança no futuro.

O FPO apresentou-se ao povo com uma série de medidas que prometem combater o medo dos cidadãos em relação ao que aí vem. De uma forma geral, o seu programa é muito liberal, apresentando uma corrente de pensamento muito parecido com o alemão: liberalismo económico que combina medidas proteccionistas com uma forte competição no mercado interno. Norbert Hofer promete punho de ferro nas questões fiscais, baseado na redução das burocracias, remoção de subsídios e o fim do desperdício económico.

Mesmo assim, e caso vença as eleições, Norbert Hofer terá sempre de responder perante o parlamento, uma vez que a Áustria responde a um sistema parlamentar.