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Trump promete negociar programa nuclear com Kim Jong-un

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BRENDAN SMIALOWSKI/Getty

Em entrevista de fundo com a Reuters, o presumível candidato presidencial pelo partido republicano defende alteração total de postura em relação à Coreia do Norte e sublinha que quer renegociar o acordo para o clima alcançado em Paris porque é injusto para os EUA

Se Donald Trump ganhar as eleições presidenciais dos Estados Unidos, terá na sua lista de prioridades um encontro cara-a-cara com Kim Jong-un, o líder da Coreia do Norte, para discutir com ele o contestado programa nuclear do país.

“Falaria com ele, não teria qualquer problema em falar com ele”, diz o presumível candidato do partido republicano às eleições de novembro, que ficou com a nomeação praticamente garantida após a desistência dos seus dois últimos rivais na corrida no início deste mês.

A promessa, que se opõe totalmente à postura que os EUA têm mantido em relação ao regime hermético e internacionalmente isolado, foi feita numa longa entrevista de fundo com a Reuters, na qual o empresário e aspirante a Presidente disse ainda que pressionaria a China para ajudar a resolver a disputa sobre o programa nuclear norte-coreano.

“Poria muita pressão sobre a China porque economicamente temos poderes impressionantes sobre a China. A China pode resolver esse problema [com Pyongyang] através de um encontro ou de uma chamada”, defendeu na entrevista, que decorreu no 26.º andar da Trump Tower, em Manhattan.

Hillary Clinton, a provável candidata do partido democrata para suceder a Barack Obama, já reagiu à promessa do rival, questionando o seu “bizarro fascínio com líderes autoritaristas estrangeiros”. Em comunicado, a ex-chefe da diplomacia norte-americana disse ainda que os planos de política externa de Trump “não fazem qualquer sentido”.

“Deixem-me ver se eu entendo”, declarou no documento Jake Sullivan, o principal conselheiro de política externa da candidata. “Donald Trump insulta o líder de um dos nossos aliados mais próximos e depois vira-se e diz que adorava conversar com Kim Jong-un?” A acusação de insulto refere-se ao facto, de no início da semana, o aspirante a Presidente norte-americano ter dito que não irá dar-se muito bem com o primeiro-ministro britânico, David Cameron.

Segundo informações avançadas pela BBC, Trump está a planear viajar até ao Reino Unido para uma visita semi-formal que já pôs o governo britânico em alvoroço e que deverá acontecer antes das eleições presidenciais norte-americanas, assim que garantir a nomeação republicana na Convenção Nacional do partido, que acontece entre 18 e 21 de julho em Cleveland, no Ohio.

Na mesma entrevista à Reuters, o candidato virtual do partido republicano pareceu retroceder nos elogios que foi tecendo ao líder da Rússia, Vladimir Putin, ao longo da campanha presidencial norte-americana, dizendo que “o facto de ele ter coisas boas a dizer sobre mim não vai ajudá-lo nas negociações, de maneira nenhuma”.

Numa outra entrevista à Fox News na terça-feira à noite, Trump declarou que tem “absolutamente arrependimentos” em relação à forma como se portou na corrida pela nomeação do partido conservador, mas que não podia ter sido diferente sob pena de não ter sucesso.

Ainda na longa conversa com a Reuters, que abordou uma série de tópicos quentes de política interna e externa, o magnata populista voltou a declarar que “não é grande fã” do acordo do clima alcançado na cimeira de Paris em dezembro e sob o qual mais de 170 países se comprometem a reduzir as emissões de dióxido de carbono para impedir uma maior subida da temperatura média da Terra.

Se for eleito Presidente, diz Trump, irá exigir que esse acordo seja renegociado porque trata os EUA de forma injusta e dá tratamento favorável a países como a China. “Olharei para isso muito, muito a sério e, no mínimo, irei renegociar esses acordos. E no máximo farei outra coisa qualquer.”