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Rebeldes do Iémen acusados de “arrepiante campanha para esmagar a dissidência”

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Os bombardeamentos liderados pela Arábia Saudita têm procurado atingir as posições dos rebeldes houthis no Iémen

Getty

Investigação da Amnistia Internacional revela “padrão de detenções arbitrárias e desaparecimentos forçados” às mãos dos houthis, que são apoiados pelas tropas do Presidente deposto e que controlam a capital, Sana, há mais de um ano

A Amnistia Internacional acusou esta quarta-feira os rebeldes iemenitas de levarem a cabo uma campanha “brutal” de detenções arbitrárias, tortura e desaparecimento forçado dos seus opositores desde que tomaram a cidade de Sana, a capital do Iémen.

Apoiados por tropas leais ao Presidente iemenita deposto nesse mês, Ali Abdullah Saleh, os insurgentes xiitas houthis são acusados pela organização de direitos humanos de “realizaram uma vaga de detenções de (…) opositores, levando arbitrariamente críticos sob ameaça de arma e sujeitando alguns a desaparecimentos forçados”.

As denúncias são feitas com base em 60 casos de detenções, tortura ou desaparecimento de civis, incluindo de jornalistas, políticos, académicos e ativistas. No comunicado que acompanha o relatório divulgado esta quarta-feira, a Amnistia afirma que esta vaga de perseguição de opositores pelas forças houthis faz parte de uma “arrepiante campanha para esmagar a dissidência”.

Os houthis, que controlam a capital desde a deposição de Saleh, estão em guerra contra o governo iemenita criado no início de 2015 e que é apoiado por uma coligação de países árabes sunitas liderada pela Arábia Saudita.

Os opositores que são detidos pelos rebeldes são frequentemente sujeitos a tortura e impedidos de falar com um advogado ou com a sua família, havendo detenções investigadas pela AI que duraram 18 meses. A maioria deles é mantida em centros de detenção secretos, incluindo casas privadas, e mudada de local múltiplas vezes.

De entre os casos citados no relatório, 18 indivíduos continuam sob detenção neste momento, incluindo o estudante de 21 anos Abdul Ilah Saylan, que foi capturado nos arredores de Sana em agosto.

Desde o início do conflito sectário, em março de 2015, pelo menos 6200 pessoas morreram, metade delas civis, e quase três milhões ficaram deslocadas interinamente ou estão refugiadas noutros países. Por causa da guerra, o país mais pobre do mundo árabe ficou à beira da fome, havendo neste momento 82% da população em urgente necessidade de apoio humanitário.