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Integração de refugiados vai gerar maior aumento da riqueza do que da dívida pública

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Carsten Koall/GETTY

Primeira grande investigação sobre o impacto da chegada de mais de um milhão de pessoas à UE em 2015 conclui que requerentes de asilo irão gerar quase o dobro do dinheiro que os Estados-membros vão gastar no seu acolhimento e integração

Os refugiados que chegaram à Europa entre janeiro e dezembro do ano passado, mais de um milhão de pessoas que foram sobretudo acolhidas pela Alemanha, vão retribuir a despesa com a sua integração quase a dobrar em apenas cinco anos. É esta a principal conclusão de um estudo de fundo sobre o impacto da chegada e integração de requerentes de asilo nas comunidades que os acolhem, o primeiro desta natureza, elaborado pela organização não-governamental The Tent Foundation.

De acordo com a investigação, sustentada por Philippe Legrain, um ex-conselheiro económico de Durão Barroso quando o português era presidente da Comissão Europeia, no espaço de cinco anos os refugiados vão criar mais postos de emprego, levar ao aumento da procura de bens e serviços e preencher as lacunas sentidas no mercado laboral europeu há vários anos, ao mesmo tempo que os seus salários irão ajudar a financiar os sistemas de pensões e finanças públicas dos Estados-membros.

Citando estudos anteriores por economistas laborais, Legrain diz que é muito pouco provável que a integração destas pessoas leve à queda dos salários ou ao aumento do desemprego entre os trabalhadores naturais dos países europeus que as acolhem. Mais especificamente, o professor da London School of Economics calcula que, apesar de a absorção de tantos refugiados vir a traduzir-se num aumento da dívida pública de quase 69 mil milhões de euros entre 2015 e 2020, durante esse mesmo período os refugiados irão ajudar o PIB a crescer em 126,6 mil milhões de euros, quase o dobro do aumento da despesa.

“Investir um euro no acolhimento de refugiados pode garantir quase dois euros em benefícios económicos ao longo dos próximos cinco anos”, conclui igualmente o relatório da Tent Foundation divulgado esta quarta-feira, sob o título “Refugees Work: A Humanitarian Investment That Yields Economic Dividends”.

Ao “The Guardian”, Legrain diz ter esperanças de que este relatório ajude a acabar com o mito de que os refugiados vão causar problemas económicos à sociedade ocidental e em particular à UE, para onde muitos (e mesmo assim tão poucos, comparando com o total de pessoas deslocadas por guerras e conflitos) fogem em busca de paz e refúgio.

“O grande equívoco é o de que os refugiados são um fardo — e esse é um equívoco que é partilhado até por pessoas que são favoráveis a deixá-los entrar, que pensam que [a sua integração] vai ser dispendiosa mas que é a coisa certa a fazer”, diz o especialista. “Isso é incorreto. Apesar de a motivação primeira óbvia para deixar os refugiados entrar ser o facto de estarem a fugir à morte, assim que chegam podem contribuir para a economia”, através do pagamento de impostos e consumo interno, ajudando à criação de emprego.

“Explicado de forma simples, não existe um número fixo de empregos. Os refugiados que arranjarem emprego estarão a criar esses postos de trabalho”, aponta o relatório da ONG. “Quando eles gastam os seus salários, impulsionam a procura de bens e serviços e criam postos de trabalho nas linhas complementares do mundo laboral. Por exemplo, quando os refugiados vão trabalhar para a construção civil, estão a criar postos para locais que supervisionam as obras ou que vendem materiais de construção.”