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Internacional

Parlamento turco começa a debater retirada de imunidade a deputados

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Selahattin Demirtas é co-fundador e líder do partido pró-curdo HDP

ADEM ALTAN

Presidente Erdoğan usaria a medida para atacar membros da oposição, sobretudo curdos, avisa o líder do HDP, Selahattin Demirtaş

O Parlamento da Turquia começou esta terça-feira a debater uma proposta de lei apresentada pelo governo para retirar imunidade aos deputados, no que a oposição diz ser uma clara tentativa do Presidente, Recep Tayyip Erdoğan, perseguir os seus críticos. O projeto-lei foi apresentado pelo Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) de Erdoğan e será votado na sexta-feira.

“A proposta terá um impacto muito negativo na Turquia e é claramente uma tentativa de nos atacar", acusa Selahattin Demirtaş, líder do partido pró-curdo HDP, em entrevista ao "The Guardian", sob avisos de que a sua aprovação representa "um sério risco" que levará ao aumento da violência num país cada vez mais polarizado.

“Os canais políticos democráticos da Turquia já estão em grande dificuldade e se a proposta passar, muitas pessoas vão sentir que esses canais foram totalmente fechados. A crença na democracia e na política da paz cairá para zero."

Há muito que Erdoğan e os membros do AKP exigem que deputados do HDP sejam julgados por "terrorismo", acusando o partido que representa a minoria curda mas também liberais de esquerda de ser o braço político do ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que defende a criação de um Estado curdo independente da Turquia. Esta exigência subiu de tom após o HDP roubar a maioria parlamentar ao AKP nas eleições de junho de 2015.

O facto de o partido no poder ter perdido deputados há um ano, uma derrota que foi em parte revertida nas eleições antecipadas de novembro sob fortes indícios de fraude, afastou temporariamente Erdoğan do seu plano de criar um regime presidencialista e alargar o limite do seu mandato. Por causa deste e de outros pontos de contenda, como a crise dos refugiados, há duas semanas o Presidente afastou o primeiro-ministro, Ahmet Davutoglu, do cargo que lhe tinha oferecido quando já não podia recandidatar-se a chefe do Governo.