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Expresso

Internacional

Estados Unidos querem armar governo interino da Líbia

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MAHMUD TURKIA

Potências mundiais vão pedir à ONU que suspenda embargo de armas imposto no país sob o argumento de que essa é a única forma de travar os avanços do autoproclamado Estado Islâmico no país do norte de África

Os Estados Unidos e outros países do Ocidente e do Médio Oriente dizem estar preparados para apoiar com armamento o governo de unidade nacional líbio criado no final de 2015 sob coordenação do Conselho de Segurança da ONU, para que este possa coordenar os esforços no terreno para derrotar o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh).

O anúncio foi feito na segunda-feira à noite pelo secretário de Estado norte-americano, John Kerry, em Viena, onde os ministros dos Negócios Estrangeiros de várias potências mundiais estiveram reunidos para debater que tipo de apoio será concedido ao Governo interino líbio, o único dos autodeclarados Executivos do país que é reconhecido pela comunidade internacional.

De acordo com Kerry, o grupo de países reunidos na capital austríaca aceitou pedir à ONU que suspenda o embargo de armas imposto à Líbia para que os EUA e outras potências possam fornecer armas ao Governo de Fayez al-Sarraj, que foi criado no exílio e que chegou à capital líbia, Trípoli, em março, sob ameaças de grupos e fações rivais, incluindo do outro autodeclarado Executivo, instalado no leste.

Para o número dois da administração Obama, o Daesh é uma "nova ameaça" à Líbia e é "imperativo" que seja travada naquele país do norte de África. No mês passado, Sarraj já tinha avisado que o Daesh poderá obter controlo da maior parte do território líbio se não for travado em breve.

"O Governo de União Nacional é a única entidade que pode unir o país", defende Kerry. "[Fornecer-lhe armas] é a única maneira de garantir que as instituições vitais ficam sob uma autoridade representativa e reconhecida. É a única forma de gerar a coesão necessária para derrotar o Daesh."

As conversações de ontem em Viena foram coordenadas pelos EUA e por Itália, onde os refugiados estão a voltar a desambarcar vindos da costa líbia pelo Mediterrâneo após o encerramento da rota dos Balcãs e do reforço de patrulhamento da outra rota mediterrânica que levava estas pessoas para a Grécia.