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China quebra silêncio e diz que a Revolução Cultural de Mao é um erro a não repetir

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Primeiro foi o silêncio no dia dos 50 anos sobre a data em que o histórico líder chinês declarou o início da ‘guerra de classes’, agora a discreta condenação dos erros do passado, num artigo publicado no jornal do Partido Comunista chinês

“Nós não podemos e não iremos repetir um erro como a Revolução Cultural”, refere um artigo de opinião publicado no “Diário do Povo”, o jornal oficial do Partido Comunista chinês, esta terça-feira, um dia depois de se terem completado 50 anos sobre a data em que histórico líder Mao Tsé Tung deu início à ‘guerra de classes’.

Após a efeméride não ter sido assinalada por quaisquer cerimónias oficiais, o artigo condena agora abertamente o período, entre 1966 e 1976, durante o qual teve lugar na China uma enorme e violenta purga, lançada em nome do combate ao capitalismo e aos resquícios de conservadorismo ainda existentes na sociedade chinesa.

“Nós nunca devemos esquecer de retirar lições da Revolução Cultural”, refere o artigo. Cerca de 1,5 milhões de pessoas morreram e vários milhões de outras foram perseguidas segundo as estimativas de alguns historiadores. Escolas foram encerradas, em nome da profundas reformas, a economia estagnou.

Apesar de Mao ter anunciado o fim da Revolução Cultural em 1969, o verdadeiro fim das suas políticas só aconteceriam após a morte do líder em 1976, num processo conduzido por Deng Xiaoping. Em 1981, o partido declarou que o acontecimento foi “responsável pelo mais grave retrocesso e pelas mais pesadas perdas sofridas pelo partido, pelo país e pelo seu povo desde a criação da República do Povo”.

O artigo de opinião publicado esta terça-feira no “Diário do Povo” refere agora que o acontecimento histórico não deve ser usado por entidades da “direita” ou da “esquerda” para criar interferências com o atual regime. “(Nós) não podemos nem tomar o caminho rígido, fechado, da estrada do passado, nem o caminho malicioso de mudar a bandeira”, acrescenta, numa alusão à manutenção dos ideais socialistas.