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Internacional

Cada vez mais raparigas menores em campos de refugiados entregues pelos pais para casar

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JOE KLAMAR/GETTY

Alerta partiu da organização SOS Aldeias Infantis. Na maior parte das vezes, os casamentos são aceites a troco do pagamento de um dote que não ultrapassa os €3500

Está a crescer de forma alarmante nos acampamentos de refugiados da Jordânia, Iraque, Líbano e Turquia o número de raparigas entregues pelos pais para casamentos arranjados. O alerta foi dado pela organização SOS Aldeias Infantis, preocupada particularmente com a situação das meninas sírias.

Citada pelo “El Mundo”, a porta-voz adjunta da SOS Aldeias Infantis, Vanessa Schwake, sublinha que está em causa um atentado aos direitos das menores, que lhes pode acarretar sérios problemas de saúde, nomeadamente em caso de gravidez precoce ou pelo desenvolvimento de depressões que as conduzam ao suicídio.

A motivação dos pais é quase sempre a mesma. Na maior parte das vezes, os casamentos são aceites a troco do pagamento de um dote, que pode rondar os 4000 dólares (cerca de 3500 euros), o que representa “muito dinheiro para famílias que perderam tudo e não têm perspetivas de futuro”, acrescenta Vanessa Schwake. Os noivos são pelo menos dez anos mais velhos.

Não sendo uma realidade nova, é a sua nova dimensão que faz crescer a preocupação. Antes da guerra na Síria, o número de casamentos combinados envolvendo pelo menos um menor ficava estatisticamente nos 13%. Nos acampamentos de refugiados a fatia é agora de 51%.

Em virtude das agressões sexuais de que também são vítimas as raparigas nestes acampamentos, arranjar-lhes um casamento passou a ser igualmente uma solução aos olhos dos pais, convencidos que assim as protegem e salvaguardam a honra da família.

Para a SOS Aldeias Infantis, é importante que os potenciais países de acolhimento não reconheçam estes casamentos, o que será um elemento dissuasor. É o que acontece, por exemplo, na Suécia.