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Trump questiona: para que é que os britânicos precisam da UE?

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Getty

Caso venha a ser eleito Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump deverá ter uma relação complicada com o primeiro-ministro britânico, conforme mostra a troca de comentários entre ambos, mas a relação com a União Europeia promete não ser melhor

Ao contrário do atual Presidente Barack Obama, Donald Trump está mesmo muito longe de apelar aos britânicos para que votem pela permanência na União Europeia no referendo de 23 de junho. A pouco mais de um mês da consulta sobre a questão, teceu mesmo comentários que podem ser lidos com um apoio à saída.

“Eu já lidei com a União Europeia, é muito, muito burocrática, é muito dificil. No que toca à Grã-Bretanha, eu perguntaria: para que é que precisam disso? Mas, por outro lado, deixem as pessoas tomar a sua própria decisão”. Os comentários depreciativos do candidato que está isolado nas primárias do Partido Republicano surgiram numa entrevista transmitida esta segunda-feira pela cadeia britânica ITV.

As posições de intolerância de Trump prometem, por outro lado, criar atritos com os líderes políticos de outros países, entre os quais os do Reino Unido, o maior aliado europeu dos Estados Unidos. Na mesma entrevista, o milionário assumiu que é pouco provável que venha a ter uma boa relação com o primeiro-ministro britânico. David Cameron qualificou de “divisória, estúpida e errada” a proposta de Trump de vir a banir temporariamente a entrada de muçulmanos nos Estados Unidos.

“Parece que não vamos ter uma relação muito boa (…) Eu espero ter uma boa relação com ele, mas parece que ele também não está disposto a lidar com o problema”. Justificando a proposta de proibição de entrada de muçulmanos, Trump afirmou: “Temos um problema tremendo com o terror do radicalismo islâmico (…) O mundo está a explodir e não são as pessoas da Suécia que estão a fazer os danos, OK?! Então, temos um problema real”.

Para lá da incompatibilização com Cameron, a proposta de Trump criou uma situação delicada com o recém-eleito presidente da Câmara de Londres. O muçulmano Sadiq Kahn afirmou se Trump for eleito Presidente deixará de poder efetuar as visitas oficiais que desejava aos Estados Unidos, acusando o candidato republicano de ser muito ignorante relativamente ao Islão.

Trump respondeu agora, nesta entrevista à ITV, manifestando-se ofendido e frisando que não irá esquecer-se dessas declarações: “Ele não me conhece, nunca se encontrou comigo, não sabe aquilo que eu sou. Eu acho que são declarações muito rudes. Sinceramente, digam-lhe que eu irei lembrar-me dessas declarações. São declarações desprezíveis”.