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Itália e EUA coordenam cimeira para discutir apoio ao governo interino da Líbia

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À frente de um Governo apoiado pela ONU, o primeiro-ministro Fayez al-Sarraj é o novo homem forte da Líbia

© Hani Amara / Reuters

Encontro em Viena tem como objetivos criar frente de combate contra o autoproclamado Estado Islâmico e reforçar governação no país em ruínas para reduzir número de chegadas de refugiados ao território italiano

Ministros dos Negócios Estrangeiros da Europa e do Médio Oriente vão encontrar-se esta segunda-feira na capital austríaca, para discutirem formas de potenciar e aumentar o apoio ao governo interino da Líbia criado sob mediação da ONU, numa altura em que se agravam as divisões étnicas internas e que militantes do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) continuam a aproveitar o caos instalado pela falhada Primavera Árabe para avançarem no país.

De acordo com o "The Guardian", os planos que estiveram em discussão há meses e que previam o envio de milhares de tropas italianas para a Líbia estão neste momento em suspenso ou poderão já ter sido totalmente abandonados.

Ainda assim, o Ocidente continua a tentar encontrar formas de reforçar a autoridade política do chamado Conselho Presidencial, o único dos autodeclarados Executivos da Líbia que é reconhecido pela comunidade internacional e que foi formado no final de 2015, sob mediação do Conselho de Segurança da ONU, numa tentativa de acabar com o caos político e com os conflitos internos que grassam na Líbia desde que Muammar Kadhafi, o general que governou o país durante 42 anos, foi deposto em 2011.

Organizado por Itália em parceria com os Estados Unidos, o encontro desta segunda-feira em Viena passa por reforçar a "autoridade política" do governo instalado em Trípoli, sob o argumento de que tal irá ajudar a que uma única força militar derrote o Daesh e impeça mais partidas de refugiados para Itália através do Mediterrâneo.

Neste momento, EUA, França, Reino Unido e Itália têm forças especiais a operar em várias partes da Líbia, muitas vezes dando apoio a distintos grupos militarizados que lutam entre si e que põem em causa os esforços para conduzir o país a um mínimo de estabilidade política pela mão de Fayez al-Sarraj, líder do Governo de Trípoli.

Desde a sua chegada à capital líbia em março, Sarraj já assumiu o controlo do banco central líbio e da estatal petrolífera, mas continua a enfrentar a administração rival que está instalada no leste e o seu respetivo poderio militar. As disputas entre os dois lados são tais, aponta o "The Guardian", que neste momento há banqueiros de um lado a recusarem-se a dar ao outro lado os códigos de acesso a cofres onde é guardado dinheiro para financiar as operações. Os diferentes grupos que lutam pelo poder na Líbia estão ainda a competir pelas exportações de petróleo.

De acordo com fontes familiarizadas com o processo, o governo de Sarraj vai aproveitar o encontro desta segunda-feira em Viena para apresentar uma lista de pedidos aos parceiros ocidentais, entre eles o de mais armamento e treino militar. O encontro vai ser conduzido pelo secretário de Estado norte-americano John Kerry e pelo chefe da diplomacia italiana Paolo Gentiloni.