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Boris Johnson compara UE à Alemanha de Hitler

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Matt Cardy/Getty Images

O antigo mayor de Londres, e um dos maiores defensores do Brexit, afirmou este domingo que os burocratas em Bruxelas perseguem o mesmo objetivo que o ditador nazi – o de unificar a Europa sob uma “autoridade” –, ainda que com “diferentes métodos”

Boris Johnson foi ainda mais longe na sua campanha a favor do Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia), ao comparar a União Europeia (UE) à Alemanha nazi de Hitler. Em entrevista ao “The Sunday Telegraph”, o antigo mayor conservador de Londres, e um dos maiores impulsionadores da campanha a favor da saída da União, defende que os burocratas em Bruxelas perseguem o mesmo objetivo que o ditador nazi – o de unificar a Europa sob uma “autoridade” –, ainda que com “diferentes métodos”.

Boris Johnson argumentou que os últimos dois mil anos da história europeia viveram várias tentativas de unificar a Europa sob um único Governo, tentando regressar à época áurea da Roma antiga. “Napoleão, Hitler, várias pessoas tentaram-no e terminou tudo de uma maneira trágica. A UE é uma tentativa de tentar o mesmo através de métodos diferentes.”

No entanto, como acrescenta, “não existe lealdade fundamental à ideia de Europa”, nem uma “autoridade única que as pessoas respeitem ou compreendem. Isto tem causado um profundo vazio democrático.” E fez um apelo aos britânicos para se converterem nos “novos heróis da Europa” e “travar a tempo um projeto que está fora de controlo” e que, como considera, serve apenas os desígnios da Alemanha.

Reações dos dois lados da barricada

Os comentários de Boris Johnson foram proferidos num momento aceso das campanhas a favor da saída e permanência do Reino Unido na União Europeia e já provocaram reações de contestação. O marechal Lord Bramall, que participou no desembarque de Normandia durante a Segunda Grande Guerra, considerou a comparação “absurda” e o Trabalhista Hillary Benn apelidou-a de “ofensiva e desesperada.”

“Tentar comparar Hitler e os nazis – as milhões de pessoas que morreram durante a Segunda Guerra Mundial, o Holocausto – com a união de democracias livres da Europa ao nível do comércio e cooperação, no processo de levar a paz ao continente depois de séculos de guerra, é francamente ofensivo e desesperado”, criticou Hillary Benn, ministro-sombra para os Negócios Estrangeiros.

Já o conservador Eric Pickles comparou Johnson ao antigo mayor de Londres Ken Livingstone, que foi suspenso do Partido Trabalhista por sugerir que Hitler apoiara o sionismo. “Se as últimas semanas nos ensinaram alguma coisa foi: não ajuda muito mencionar Hitler como base de um argumento de um ex-mayor de Londres.”

Mas vários Tories que estão a apoiar a campanha a favor do Brexit parecem ter uma opinião distinta. Chris Grayling, líder da bancada conservadora na Câmara dos Comuns, disse que Boris é um historiador e que estava apenas “a fazer análise histórica.” Iain Duncan Smith, que até este ano era ministro do Trabalho e das Pensões, defendeu que o que Johnson fez foi apenas “falar sobre a tendência de alguns para este conceito de Grande Europa”, servindo-se de “algumas comparações históricas”.

“Não penso que [Johnson] estivesse a dizer que as pessoas que defendem a UE são comparáveis aos nazis”, acrescentou ainda Jacob Rees Mogg, outro Tory eurocético e defensor do Brexit. “Estava apenas a dizer que historicamente, desde os romanos, Carlos Magno, Napoleão, existiram tentativas de dominar a Europa e que todas elas fracassaram porque a Europa não é uma entidade única.”