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Expresso

Internacional

Missão da UE contra traficantes no Mediterrâneo “está a falhar”

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DIMITAR DILKOFF

Relatório de comissão parlamentar britânica aponta que Operação Sofia iniciada em 2015 não está a abranger as águas líbias como inicialmente previsto e não está a afetar as redes de tráfico humano

A missão naval da União Europeia para acabar com o tráfico de pessoas no Mediterrâneo central, batizada Operação Sofia, está a falhar o objetivo e não conseguiu, "de qualquer maneira significativa", travar os barcos de transporte ilegal de refugiados.

A conclusão foi publicada pela comissão da Câmara dos Comuns para a UE num relatório, onde é apontado que a destruição dos barcos de madeira usados pelos traficantes se limitou a levá-los a usar pequenos botes de borracha que põem os migrantes e requerentes de asilo em maior risco de perderem a vida naquele mar.

Iniciada em 2015, a Operação Sofia foi criada para evitar novos desastres na rota central do Mediterrâneo numa altura em que centenas de pessoas perderam a vida a cruzarem o mar vindas da Líbia em direção a Itália. Prova do seu falhanço é que, perante o encerramento da rota terrestre dos Balcãs, os traficantes estão a voltar a usar esta rota, mais perigosa que a do Mediterrâneo ocidental, para transportarem refugiados para a UE cobrando-lhes preços exorbitantes até pelos coletes salva-vidas, que muitas vezes são falsos e ditam a morte dos passageiros.

No âmbito da operação, a UE autoriza que navios dos Estados-membros travem, façam buscas, detenções e forcem a alteração de rota de qualquer embarcação usada por traficantes.

No relatório compilado pelos deputados britânicos da comissão para a UE é apontado que "as detenções feitas até à data foram de alvos de baixo nível, enquanto a destruição dos botes levou simplesmente os traficantes a passarem de usar barcos de madeira para botes de borracha, que são ainda mais inseguros". No mesmo documento é apontado que existem "limites significativos à informação que pode ser recolhida em mar alto sobre as redes de tráfico em terra firme".

"Existe, por isso, pouca expectativa de que a Operação Sofia vá acabar com o modelo de negócio de tráfico de pessoas", sublinham os membros do Parlamento britânico, referindo ainda que a missão naval ainda em curso só está a ser lavada a cabo em águas internacionais e não em águas líbias como era inicialmente pretendido.