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Colômbia teme que EUA rejeitem plano de paz com as FARC para proteger lucros de farmacêutica

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GUERRILHA Os negociadores das FARC nas conversações de Havana durante uma conferência de imprensa no passado dia 8 de fevereiro FOTO EPA

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A Novartis cobra por medicamento anti-cancro quase o dobro do salário per capita a cada colombiano que precisa dele

A embaixada da Colômbia nos EUA está preocupada que a descida de preço de um medicamento para tratar cancros ponha em risco o financiamento norte-americano ao acordo de paz que as autoridades do país continuam a negociar com as Forças Armadas Revoluncionárias da Colômbia (FARC).

Num memorando confidencial da representação diplomática citado pelo "Huffington Post", datado de 27 de abril, o diplomata Andrés Flórez diz estar preocupado que os EUA retirem os fundos ao governo colombiano perante as suas intenções de criar uma versão genérica mais barata do medicamento Gleevec, que é comercializado pela farmacêutica Novartis.

Em fevereiro, a administração Obama prometeu 450 milhões de dólares (cerca de 397 milhões de euros) ao governo de Juan Manuel dos Santos para financiar as conversações de paz com as FARC, dinheiro que tem como principal objetivo combater o tráfico de droga pelo grupo separatista.

Tanto o governo americano como a farmacêutica suíça que produz o Gleevec querem manter o preço desse medicamento alto, é apontado pelo diplomata no memorando inicialmente divulgado pelo think tank Knowledge Ecology International. Esta querela relacionada com o acesso à droga anti-cancro "pode escalar a um ponto que ponha em causa a aprovação de financiamento para a nova iniciativa Paz Colômbia", o nome do programa de assistência financeira ao governo de Dos Santos que foi delineado e apresentado pelo Presidente norte-americano em fevereiro.

Neste momento, a Novartis cobra quase o dobro do rendimento per capita da Colômbia a cada habitante do país que precisa de ser tratado com Gleevec, razão pela qual o governo está a ponderar produzir uma versão genérica do medicamento.

Na carta enviada à ministra colombiana dos Negócios Estrangeiros, María Ángela Holguín, Flórez denuncia ter sido alvo de pressões do gabinete de representação comercial dos EUA, da Casa Branca, e de membros do Congresso ligados à indústria farmacêutica.