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Autoridades sauditas “ajudaram Al-Qaeda” a levar a cabo ataque às torres gémeas

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Osama bin Laden, à esquerda, e uma das pessoas que saltaram das Torres Gémeas, retratados em abstrações simples compostas por pontos pretos

D.R.

Ex-membro de comité independente que investigou atentados de 11 de Setembro de 2001 diz que "funcionários do Ministério dos Assuntos Islâmicos" financiaram o grupo de Bin Laden

John F. Lehman, que integrou a comissão independente de inquérito aos atentados de 11 de setembro de 2001 entre 2003 e 2004, diz que membros do governo saudita, aliado dos EUA, ajudaram a preparar e a executar os atentados em Nova Iorque.

"Existem demasiadas provas circunstanciais" que implicam vários funcionários do Ministério saudita para os Assuntos Islâmicos, revelou o investigador em entrevista ao "The Guardian" publicada na quinta-feira. "Houve bastante participação de indivíduos sauditas no apoio aos responsáveis, e algumas dessas pessoas trabalhavam para o governo saudita. O nosso relatório nunca deveria ter sido lido como uma exoneração da Arábia Saudita."

Há muito que são debatidas as alegadas ligações entre a liderança saudita e os famigerados atentados de há quase 15 anos, a começar pelo facto de 15 dos 18 homens envolvidos no desvio dos aviões serem de nacionalidade saudita, a par do fundador e à data líder da Al-Qaeda, Ossama bin Laden.

Mas de acordo com a administração de George W. Bush com base no relatório da Comissão 11/9, divulgado em 2004 por Lehman e os seus parceiros, não foram encontradas provas de conluio entre Riade e o grupo terrorista. "A Arábia Saudita tem sido considerada uma fonte primária de financiamento da Al-Qaeda, mas não encontrámos quaisquer provas que apontem para o financiamento da organização pelo governo saudita como instituição nem por altos cargos das autoridades sauditas."

Ainda assim, a controvérsia continou a ser alimentada, muito por causa das páginas desse relatório que o então Presidente Bush não autorizou que fossem tornadas públicas. Conhecidas como “as 28 páginas”, o excerto das conclusões da investigação do Congresso norte-americano continua classificado como confidencial até hoje.

Bush alegou, na altura, que a sua publicação iria danificar a segurança nacional dos EUA pelo facto de revelar "fontes e métodos que iriam dificultar a Guerra contra o Terrorismo", com o então líder da comissão de inquérito a sublinhar as suas preocupações de que o material "em bruto e não-vetado" iria pôr pessoas inocentes em perigo.

Há vários anos que as famílias das 2977 vítimas dos ataques às torres gémeas exigem que esse documento seja tornado público, contando com o apoio de figuras proeminentes, incluindo do ex-autarca de Nova Iorque, Rudolph Giuliani.

Lehman, um banqueiro de investimento que chefiou a Marinha sob a presidência de Ronald Reagan, também exige que o excerto seja divulgado mas diz acreditar que apenas funcionários ministeriais, e não a família real saudita nem os principais líderes do aliado norte-americano, estiveram envolvidos nos ataques da Al-Qaeda.