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Turquia “está a perder a esperança” sobre isenção de vistos

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UMIT BEKTAS/REUTERS

Em entrevista à BBC, ministro turco para os Assuntos Europeus disse que uma das alterações exigidas pela Comissão Europeia em troca de isentar turcos de obterem vistos para o espaço Schengen “é impossível”

O ministro turco para os Assuntos Europeus deu uma entrevista exclusiva à BBC na qual declarou que o governo do aspirante a Estado-membro da União Europeia "está a perder a esperança" de que a Comissão implemente um sistema de isenção de vistos para cidadãos turcos como parte do controverso acordo de extradição de refugiados que entrem "ilegalmente" no espaço europeu.

De acordo com Volkan Bozkir, a alteração da legislação anti-terrorista que está em vigor no país — que a Comissão quer ver alterada antes de abrir uma exceção aos turcos dentro do espaço de livre circulação na Europa — "é impossível".

Há uma semana, o executivo europeu confirmou que está preparado para aplicar um regime de isenção de vistos aos cidadãos turcos que queiram viajar no espaço Schengen, sob o contestado acordo de "devolução" à Turquia de refugiados que cheguem às ilhas gregas sem terem apresentado um pedido de asilo no país do outro lado do Mediterrâneo. Para que essa isenção tenha início, a UE apresentou quatro condições que têm de ser cumpridas pelo governo turco, entre elas alterar a abrangente definição de terrorismo prevista na lei turca.

Reagindo às exigências da UE, um conselheiro do Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, voltou esta quinta-feira a ameaçar que vai "inundar a Europa de refugiados" se a isenção de vistos não avançar em junho como inicialmente previsto. "O Parlamento Europeu vai discutir o relatório que irá abrir a Europa aos cidadãos turcos sem necessidade de visto. Se a decisão errada for tomada, vamos enviar os refugiados" para a UE, escreveu Burhan Kuzu no Twitter.

Esta não é a primeira vez que a Turquia ameaça "inundar a UE" de refugiados, mas é a primeira vez que uma dessas ameaças é dirigida ao Parlamento Europeu, que já deixou claro que não vai aprovar a isenção de vistos se as exigências apresentadas por Bruxelas não forem cumpridas.

A dificultar todo o processo está o recente afastamento de Ahmet Davutoglu da liderança do governo pelo Presidente Erdogan, por divergências quanto à atitude a assumir perante a UE. Davutoglu foi, ao longo do seu mandato, mais permeável às propostas e exigências do bloco europeu, contra a postura dura e intransigente do Presidente que o colocou à frente do governo depois de atingir o limite máximo de mandatos à frente do executivo.

Na semana passada, Erdogan avisou a UE de que Ancara não vai alterar as suas regras antiterrorismo, declarando: "Nós faremos o nosso caminho e vocês [UE] o vosso." Bruxelas e várias organizações de direitos humanos acusam a Turquia de recorrer à sua abrangente lei antiterrorismo para intimidar jornalistas e abafar críticos e dissidentes.