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Dilma fala à imprensa assim que Senado ditar o seu afastamento

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Buda Mendes/Getty

Palácio do Planalto informou que a Presidente brasileira vai falar aos jornalistas e divulgar nas redes sociais um vídeo dirigido à população, assim que o processo para a sua destituição for concluído na câmara alta do Congresso. Maioria simples dos 81 senadores já disse que vai votar a favor, pelo que Dilma Rousseff será suspensa esta quinta-feira e por um período máximo de 180 dias

A Presidência da República brasileira anunciou na quarta-feira à noite, em comunicado, que Dilma Rousseff vai falar esta quinta-feira de manhã à população e aos jornalistas, assim que for notificada sobre a decisão do Senado em relação ao processo pela sua destituição.

Para além de falar à imprensa na entrada administrativa do Palácio do Planalto, a Presidente divulgará um vídeo nas redes sociais com a sua reação aos resultados da votação, que deverá ditar a sua suspensão imediata. O vídeo já foi gravado esta quarta-feira, assim que Dilma concluiu uma reunião com alguns ministros no Palácio da Alvorada, a residência oficial da presidência.

Iniciada na manhã desta quarta-feira, a sessão do Senado que tem como objetivo analisar o pedido de 'impeachment' da Presidente e decidir sobre o caso foi alargada até esta quinta-feira e, segundo o vice-presidente do Congresso, o senador Romero Jucá, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro, (PMDB), deverá estar concluída ao final da manhã em Brasília (início da tarde em Lisboa).

Após a Presidente ser notificada da decisão do Senado, o vice-presidente do Brasil Michel Temer (também do PMDB) será informado de que passará a ser o Presidente da República em funções. até que o processo de julgamento da atual líder na câmara alta esteja concluído, no prazo de 180 dias.

Neste momento já pouco ou nada pode impedir o afastamento de Dilma, ainda que possa ser meramente temporário, depois de 41 senadores terem confirmado na quarta-feira que vão votar contra a Presidente. Em causa estão acusações, lideradas por Temer e pelo agora ex-presidente da câmara dos deputados Eduardo Cunha (PMDB), de que Dilma manipulou previsões económicas do Orçamento do Estado em 2014 para garantir a sua reeleição nas presidenciais desse ano.

Cunha foi afastado da liderança da câmara há uma semana por suspeitas de corrupção no caso Lava Jato e substituído por Waldir Maranhão, outro réu no maior processo de corrupção da história do Brasil.

Se os senadores cumprirem a sua intenção de voto pela destituição da Presidente, Dilma será de imediato afastada do cargo, com Temer a ocupar o seu lugar interinamente até que o julgamento liderado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal na câmara alta do Congresso seja concluído.

Também Temer é suspeito de lavagem de dinheiro no processo Lava Jato, a par do ex-Presidente do Brasil e aliado de Dilma Lula da Silva, que, de acordo com a "Globo", aconselhou a Presidente a não falar aos jornalistas à entrada do Palácio do Planalto assim que a decisão do Senado for conhecida, mas antes nas traseiras do edifício.

“A decisão é que ela descerá pela saída administrativa [do palácio] com ministros e estaremos, nós da bancada e movimentos sociais, aqui do lado de fora para rececioná-la. [...] A rampa é o lugar formal de ingresso e de saída em situações normais e esta é uma situação excecional", disse o líder da bancada parlamentar do Partido dos Trabalhadores (PT) Afonso Florence, depois de ter estado reunido com os ministros Jaques Wagner, chefe do gabinete da Presidente, e Ricardo Berzoini, secretário do Governo.

"Nós estamos vivendo uma exceção e por isso, entendam, esta é uma decisão dela [não descer a rampa] e nós do PT estaremos com o movimento pela democracia [quando Dilma deixar o palácio]”, declarou o mesmo deputado.

A sessão extraordinária do Senado deverá começar pelas 9h da manhã locais (13h em Lisboa). Os oradores inscritos, contra e a favor da destituição, vão continuar a falar alternadamente durante até 15 minutos cada e apenas uma vez. De acordo com a agência brasileira EBC, não será permitida a orientação de voto pelos líderes de cada bancada partidária. A votação será eletrónica e caso se confirme uma maioria simples a favor da destituição de Dilma, a Presidente abandona já esta quinta-feira o cargo e o juiz Ricardo Lewandowski, presidente do Supremo Tribunal Federal, irá abrir um julgamento no Senado para tomar uma decisão final sobre o processo.