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Dilma: “Vamos vencer o golpe”

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ADRIANO MACHADO/Reuters

Numa declaração ao país, Dilma Rousseff disse esta quinta-feira ser vítima de uma “farsa jurídica e política” e de uma “injustiça”, considerando que o processo de destituição aprovado de manhã no Senado é um “verdadeiro golpe” que ameaça a democracia. “Mas eu não esmoreço, vamos vencer”, garante

Depois de o Senado ter aprovado a destituição da Presidente brasileira, Dilma Rousseff reiterou esta quinta-feira que não cometeu nenhum “crime de responsabilidade” para manobrar as contas públicas e que está a ser vítima de um “golpe” levado a cabo pela oposição.

“Exerci o meu mandato de forma digna e honesta. Posso ter cometido erros, mas crimes não”, declarou numa conferência de imprensa no Palácio do Planalto, em Brasília, sem direito a perguntas.

Dilma lamentou aquilo que considera ser uma “injustiça” e garante que irá utilizar todos os meios legais para se defender e provar na Justiça a sua inocência, dizendo que não se trata de uma luta individual mas dos 54 milhões de brasileiros que votaram nela.

“A maior das brutalidades que pode ser cometida contra qualquer ser humano é puni-lo por um crime que nunca cometeu. Esta farsa jurídica deve-se ao facto de eu nunca ter aceitado chantagens de qualquer natureza.(...) Em nome dos votos dos brasileiros, vou utilzar todos os meios legais para exercer o meu mandato até ao fim, 31 dezembro de 2018”.

Sublinhando momentos difíceis da sua vida, como a ditadura e o cancro, Dilma promete não baixar os braços nesta nova frente de batalha. “Já sofri a dor indizível da tortura, a dor aflitiva da doença e agora sofro a dor inominável da injustiça. Mas eu não esmoreço. A população saberá dizer não ao golpe. A luta contra o golpe é longa e é uma luta a vamos vencer. Vamos vencer o golpe”.

A chefe de Estado brasileira manifestou-se confiante de que o país conseguirá ultrapassar esta fase sem colocar em causa a democracia. “A luta pela democracia não tem data para terminar, é constante”, insistiu.

Referindo-se ao novo Presidente interino, Dilma sublinhou ainda que Michel Temer não foi eleito pela maioria da população e “irá propor sem legitimidade soluções e desafios para o país”. “O golpe ameaça não só a democracia mas as conquitas que a população alcançou nas últimas décadas”, sustentou.

O processo de destituição de Dilma Rousseff foi aprovado esta quinta-feira no Senado, com 55 votos a favor e 22 contra. A Presidente brasileira será afastada do cargo por 180 dias, tendo que responder perante a Justiça. Se for considerada inocente, poderá regressar à Presidência.