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Assembleia Nacional debate moção de censura ao Governo de Hollande

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Getty Images

Iniciativa da direita tem poucas hipóteses de ser aprovada, mas vem desestabilizar ainda mais um Partido Socialista dividido numa altura de crescentes tensões à esquerda por causa da reforma laboral proposta pelo Presidente francês

A Assembleia Nacional francesa vai debater esta quinta-feira uma moção de censura da direita contra o Governo de François Hollande, que tem poucas hipóteses de passar na câmara dos deputados mas que vem aumentar as tensões à esquerda por causa da reforma laboral proposta pelo Executivo socialista.

As maiores centrais sindicais de França convocaram para esta quinta-feira protestos em todo o país contra o projeto-lei de Hollande, à semelhança das manifestações do mês passado que conduziram à detenção de 26 pessoas. Estes protestos e a votação da moção de censura pelas 16h desta quinta-feira acontecem dois dias depois de o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, ter decidido avançar com a contestada reforma laboral recorrendo a um artigo da Constituição que permite a aprovação de leis sem que a maioria parlamentar dê o seu aval à proposta de lei.

A decisão foi tomada em Conselho de Ministros extraordinário na terça-feira, levando os líderes das bancadas parlamentares de dois partidos da direita — Christian Jacob, dos Republicanos (LR), e Philippe Vigier, da União de Democratas e Independentes (UDI) — a apresentarem uma moção de censura ao Governo socialista.

A reforma laboral é criticada não só pelos sindicatos e por outros partidos da esquerda francesa como também por membros do partido de Hollande, que em março escreveram uma carta aberta ao Presidente onde acusavam o seu Governo de uma "deriva liberal".

“Não se trata simplesmente do fracasso perfilado para os próximos cinco anos, mas também de uma debilidade duradoura que está a ser preparada em França, ainda por cima pela esquerda", escreveram os autores do texto, entre eles Martine Aubry, filha do fundador da UE, Jacques Delors que foi líder do PS francês entre 2008 e 2012.

Em causa está a reforma da lei laboral apresentada pela ministra do Trabalho de Hollande, Myriam El Khomri, que, entre outras medidas, prevê a facilitação de despedimentos por "motivos económicos" e a criação de tetos máximos às indemnizações que as empresas têm de pagar em caso de despedimento sem justa causa ou despedimento coletivo.