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Novo Presidente das Filipinas é o “Donald Trump do leste”

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Retórica violenta vale ao novo Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, comparações com Donald Trump

Noel Celis

Conforme antecipado pelas sondagens, o vencedor das presidenciais filipinas é Rodrigo Duterte, um ex-autarca e ex-procurador de Davao que defende execuções extrajudiciais de criminosos e que no passado lamentou “não ter sido o primeiro” a violar uma missionária australiana morta numa prisão daquela cidade

O "justiceiro" Rodrigo "Digong" Duterte, que foi presidente da câmara de Davao durante mais de 20 anos, venceu as eleições presidenciais das Filipinas à primeira volta, tal como previam as sondagens de intenção de voto. Apesar de os resultados oficiais do plebiscito desta segunda-feira ainda não terem sido declarados, o principal rival de Duterte, Mar Roxas, um ex-banqueiro de investimento e neto do primeiro Presidente da República das Filipinas, já admitiu a derrota, após as sondagens à boca de urna preverem uma maioria qualificada de votos para Duterte.

No discurso da vitória, o político de 71 anos – que é acusado por organizações de Direitos Humanos de ter ordenado execuções extrajudiciais de mais de mil prisioneiros durante as duas décadas em que esteve à frente da autarquia de Davao – prometeu cumprir o seu mandato com "extrema humildade". O "The Guardian" refere que, nesse mesmo discurso, o novo Presidente eleito das Filipinas prometeu alterar a Constituição e sublinhou que pode vir a implementar, a nível nacional, a proibição de ficar em bares até tarde a beber álcool e um recolher obrigatório para crianças não acompanhadas.

Apostando numa retórica anticrime e em defesa da ordem pública, a campanha de Duterte foi marcada por uma série de controvérsias e discursos inflamados que estão a levar muitos a classificá-lo como o "Donald Trump do Leste", incluindo o apresentador de televisão e comediante norte-americano John Oliver, que dedicou um segmento do episódio desta segunda-feira ao homem que põe a um canto o incendiário candidato republicano às presidenciais norte-americanas de novembro.

Antes das eleições desta segunda-feira, o ainda Presidente filipino Benigno Aquino pediu aos eleitores que o ajudassem a impedir que um homem como Duterte fosse eleito para lhe suceder. "Preciso da vossa ajuda para impedir o regresso do terror à nossa terra, não posso fazê-lo sozinho", declarou no último sábado.

A campanha para estas presidenciais ficou marcada por declarações horrendas de Duterte, que falou publicamente sobre o caso de uma missionária australiana, Jacqueline Hamil, que foi assassinada durante um motim numa prisão de Davao em 1989. Num vídeo disseminado pelos media do arquipélago, o agora Presidente eleito é ouvido a dizer que a australiana era tão bonita que ele "devia ter sido o primeiro" a violá-la. Mais tarde pediu desculpa pelas declarações, defendendo que "é assim que os homens falam".

Durante o fim de semana, no encerramento da campanha presidencial o candidato escolhido pela maioria dos 54 milhões de eleitores filipinos prometeu levar a cabo execuções como as que foram registadas ao longo dos seus 22 anos de governação em Davao. "Esqueçam as leis [de defesa] de Direitos Humanos. Se eu chegar ao palácio presidencial, farei o que fiz enquanto autarca. Vocês traficantes de droga e os que não fazem nada bem podem desaparecer. Porque enquanto autarca eu ter-vos-ia matado."