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Internacional

Entradas de refugiados na Alemanha caíram 90% desde dezembro

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TOBIAS SCHWARZ

Cerca de 16 mil requerentes de asilo entraram em território alemão em abril, contra 20 mil registadas em março e 120 mil no último mês do ano passado

Houve um enorme declínio no número de pessoas fugidas de guerras e repressões no Médio Oriente e África que entraram na Alemanha desde o final de 2015. De acordo com dados avançados pela AFP esta terça-feira, registou-se uma queda de 90% no número de chegadas ao território alemão por requerentes de asilo entre dezembro e abril.

No último mês, cerca de 16 mil migrantes e requerentes de asilo chegaram à Alemanha após o encerramento da rota dos Balcãs, contra as 20 mil entradas registadas em março e as 120 mil chegadas no último mês do ano passado. A Alemanha foi o país de entre os 28 Estados-membros da União Europeia que mais refugiados acolheu entre janeiro e dezembro de 2015, num total de mais de um milhão de pessoas, sobretudo de nacionalidade síria.

Entre os motivos que explicam o fenómeno contam-se não só o encerramento da rota dos Balcãs como o acordo alcançado pela União Europeia com a Turquia em março deste ano, que prevê a extradição para território turco de todos os requerentes de asilo que entrem “ilegalmente” em território europeu através das ilhas gregas.

O acordo é criticado por organizações não-governamentais, incluindo por António Guterres, alto comissário para os Refugiados e aspirante a secretário-geral das Nações Unidas, por prever a “devolução” de migrantes e refugiados a um país onde se amontoam as denúncias de violações de direitos humanos.

Hoje, a Human Rights Watch denunciou num relatório que as autoridades turcas que patrulham a fronteira com a Síria estão a abater a tiro e a espancar refugiados e traficantes, à medida que avança a construção de um muro de cimento na fronteira partilhada de 911 quilómetros de comprimento.

A Turquia continua a defender oficialmente que mantém uma política de portas abertas para os sírios que continuam a fugir aos milhares da guerra civil na Síria, que em março entrou no sexto ano consecutivo e que já provocou milhões de refugiados e pelo menos 500 mil mortos.