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Três horas de negociações para resgatar jornalistas espanhóis na Síria

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REUTERS

Foram 180 minutos de alta tensão. Negociações para o resgate de Antonio Pampliega, José Manuel López e Ángel Sastre – os três jornalistas espanhóis sequestrados há 10 meses na Síria – contaram com a participação de militares turcos e membros dos serviços de informação de Espanha. O Qatar também teve um papel vital na operação

Cerca de 48 horas depois de terem chegado à Síria, Antonio Pampliega, José Manuel López e Ángel Sastre – três jornalistas freelancers espanhóis que pretendiam cobrir o conflito no país – foram dados como desaparecidos em Alepo. Foi a 12 de junho de 2015. Pouco depois, o Ministério dos Negócios Estrangeiros espanhol confirmava o receio: os três repórteres tinham sido sequestrados pelo grupo terrorista Frente Al-Nusra, uma filial local da Al-Qaeda.

Passados 10 meses, terminou o pesadelo. Os três repórteres chegaram a Madrid este sábado, tendo viajado num avião Falcon da Força Aérea Espanhola que partiu da Turquia. Embora visivelmente mais magros, todos apresentam “boa saúde”.

Em declarações à imprensa espanhola explicaram que durante o sequestro foram sempre “bem tratados”, comendo as mesmas refeições dos sequestradores que estavam sempre encapuzados. Garantem ainda que nunca souberam em que sítio da Síria se encontravam, tendo mudado de esconderijo umas seis vezes, sendo que um deles foi separado dos colegas passados três meses de cativeiro, refere o “El País”.

A operação de resgate foi longa e tensa. Foram três horas que os sequestradores negociaram com militares turcos e membros dos serviços de informação de Espanha numa zona da província turca de Hatay. O Qatar também teve um papel importante na operação.

Os mediadores levavam consigo um conjunto de perguntas dos familiares, que só podiam ser respondidas pelos jornalistas para confirmar as suas identidades, explica o “El Mundo.”

Turquia e Qatar decisivos

Este fim de semana, a vice-presidente do governo espanhol, Soraya Sáenz de Santamaría, elogiou o trabalho das pessoas envolvidas na operação de resgate, agradecendo ainda a “colaboração de países aliados e amigos”, referindo-se à Turquia e ao Qatar.

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, os três espanhóis foram vistos pela última vez numa carrinha branca no dia 11 de junho de 2015, acompanhados por um tradutor na parte velha da cidade de Alepo, tendo sido intercetados por um grupo de homens armados. Na altura, o governo de Mariano Rajoy garantira que seriam tomadas “todas as medidas ao seu alcance” para libertar os jornalistas.

A Síria é considerada um dos países mais perigosos para os jornalistas. Só em 2014, pelo menos 27 repórteres foram sequestrados por grupos terroristas no terreno.