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Juncker alerta para “consequências imprevisíveis” do Brexit

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VINCENT KESSLER / Reuters

Em entrevista a ser publicada esta segunda-feira pelo conglomerado alemão “Funke Mediengruppe”, o líder da Comissão Europeia diz que todos os europeus querem o Reino Unido dentro do bloco e justifica que um “acordo justo” foi alcançado com os britânicos em fevereiro para os convencer a ficar

Numa entrevista ao grupo de media alemão "Funke", o chefe do executivo europeu avisa esta segunda-feira que a eventual saída do Reino Unido da União Europeia terá "consequências imprevisíveis" para a cooperação no continente, a seis semanas do referendo que David Cameron convocou para 23 de junho e numa altura em que as sondangens mais recentes apontam para enormes divisões entre o eleitorado britânico quanto ao cenário batizado Brexit.

Na entrevista, citada pelo jornal britânico "The Guardian", Jean-Claude Juncker defende que o Reino Unido alcançou um "acordo justo" e favorável dentro da UE em fevereiro, que deveria ser suficiente para garantir a manutenção do país no bloco dos 28.

"O Brexit teria consequências imprevisíveis para a cooperação europeia, sobre as quais preferia absolutamente não especular, porque estou convencido de que os britânicos vão tomar uma decisão razoável", defende o líder da Comissão Europeia. "Todos os europeus querem que a Grã-Bretanha fique na família."

Membro da Comunidade Económica Europeia (CEE) desde 1973, o Reino Unido levou a cabo um referendo sobre o assunto dois anos depois da adesão, no qual cerca de 67% da população deu o seu aval à integração. Mais de 40 anos depois, e com o país fora do projeto da moeda única e do espaço Schengen de livre circulação de pessoas e bens, os britânicos estão hoje mais divididos, não se conseguindo para já antecipar qual será o resultado do referendo que Cameron convocou para 23 de junho sobre a permanência na UE.

Esta segunda-feira, o primeiro-ministro britânico vai novamente falar à nação para convencer mais eleitores a votarem pela manutenção do status quo, defendendo que a saída do Reino Unido da União Europeia põe em risco a paz e a estabilidade do continente. Há alguns dias, a Comissão Juncker divulgou as suas previsões de crescimento da zona euro para este ano, prevendo uma desaceleração económica e citando como um dos motivos a potencial saída do Reino Unido da UE.

O FMI e o G20 também têm emitido avisos contra o cenário Brexit, com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) a declarar que não existe "um lado bom" na eventual saída britânica.