Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Filipinos têm como favorito à presidência defensor de execuções extrajudiciais

  • 333

Noel Celis / Getty Images

Mais de 54 milhões de filipinos são esta segunda-feira chamados a eleger o próximo Presidente do país, vários senadores e cerca de 18 mil autoridades locais, incluindo autarcas, nas 7000 ilhas do arquipélago. A liderar a corrida ao cargo máximo está Rodrigo Duterte, um homem que lamenta não ter sido “o primeiro” a violar uma missionária australiana que foi morta numa prisão de Davao em 1989

As urnas abriram esta segunda-feira de manhã nas Filipinas para que os mais de 54 milhões de eleitores registados nas 7000 ilhas do arquipélago escolham o seu próximo presidente, senadores e cerca de 18 mil outras autoridades locais, incluindo autarcas. Na corrida pela presidência, o ex-presidente da câmara de Davao, Rodrigo "Digong" Duterte, lidera as intenções de voto.

Cinco candidatos estão a disputar o lugar atualmente ocupado por Benigno Aquino, que no sábado voltou a pedir aos eleitores que não votem em Duterte — um homem que, em determinadas alturas, desmentiu as acusações de ter ordenado que mais de mil prisioneiros fossem executados durante as duas décadas que liderou a autarquia de Davao, e que noutras se gabou dessa atuação.

"Preciso da vossa ajuda para impedir o regresso do terror à nossa terra, não posso fazê-lo sozinho", declarou o Presidente de saída antes da ida às urnas, pedindo aos outros quatro candidatos presidenciais que criassem uma frente unida para garantir que Duterte não sai vencedor. Todos se recusaram a abandonar a corrida para reforçar uma única candidatura contra Duterte.

Batizado "O Justiceiro" pela sua postura rígida quanto a criminosos condenados, Duterte liderou Davao durante mais de 22 anos, antes de ter sido procurador dessa cidade. Durante a campanha para estas eleições, declarou que, como autarca, devia ter sido o primeiro a violar uma missionária australiana, Jacqueline Hamil, que foi assassinada durante um motim numa prisão de Davao em 1989.

O vídeo que surgiu mostrando os comentários de Duterte sobre Hamil causou a ira de muitos nas Filipinas; nele ouve-se o candidato presidencial a dizer que a australiana era tão bonita "que o autarca devia ter sido o primeiro" a violá-la. Mais tarde pediu desculpa pelas declarações, defendendo que "é assim que os homens falam". O tom violento e mordaz das suas críticas e promessas, bem como a defesa acérrima de execuções extrajudiciais, não só não repeliu os eleitores como parece ter convencido uma maioria qualificada a elegê-lo para suceder a Aquino.

Reagindo às violentas declarações de Duterte sobre a cidadã australiana, o porta-voz do ainda Presidente Benigno, Herminio Coloma, declarou que os comentários do aspirante ao cargo mostram que ele "não se adequa" ao gabinete presidencial, entre outros motivos pela sua "declarada falta de respeito pelas mulheres". O vice-presidente filipino e rival de Duterte na corrida, Jejomar Binay, foi mais longe, declarando: "Você [Duterte] é um maníaco doido que não respeita as mulheres e que não merece ser Presidente."

Mais de 100 mil agentes da polícia foram destacados para as ruas do país perante a onda de violência que antecedeu a votação. Há uma semana, sete pessoas foram encurraladas e abatidas a tiro na cidade de Rosario, na província de Cavite, a sul da capital filipina, Manila. A região é considerada uma área preocupante por causa de rivalidades políticas, noticiam os media locais. No sábado, a dois dias da ida às urnas, um candidato a uma autarquia da mesma região foi assassinado.

Nesse mesmo dia, no seu último discurso de campanha, Duterte deu a entender que pretende ordenar mais execuções de pessoas condenadas no sistema judicial se for eleito Presidente. "Esqueçam as leis [de defesa] de Direitos Humanos. Se eu chegar ao palácio presidencial, farei o que fiz enquanto autarca. Vocês traficantes de droga e os que não fazem nada bem podem desaparecer. Porque enquanto autarca eu ter-vos-ia matado."

De acordo com as sondagens de opinião que antecederam as eleições, Grace Poe, uma ex-professora do ensino primária que já foi senadora, e Mar Roxas, um ex-banqueiro de investimento e neto do primeiro Presidente da República das Filipinas, são os outros dois candidatos mais populares a seguir a Duterte.

As urnas abriram em todo o país às 6h da manhã locais (22h de domingo em Lisboa) e está previsto que encerrem pelas 17h, hora portuguesa — embora as autoridades eleitorais tenham já admitido que algumas estações de voto podem fechar mais tarde por causa de problemas técnicos com os equipamentos de votação eletrónica.