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Êxito da extrema-direita faz cair chanceler austríaco

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O chanceler austríaco, Werner Fayamann

HEINZ-PETER BADER/REUTERS

Wermer Faymann deixa o Governo depois de o eleitorado rejeitar os candidatos presidenciais dos partidos que o apoiam. À segunda volta passaram os candidatos da extrema-direita e dos verdes.

O líder do Governo austríaco, Werner Faymann, demitiu-se esta segunda-feira, argumentando que já não tem o apoio do Partido Social-Democrata (SPÖ), que lidera. O chanceler enfrentava grande contestação interna desde que o candidato que apoiou nas eleições presidenciais, Rudolf Hundstorfer, obteve apenas 11,3% dos votos, sendo eliminado à primeira volta. “Ter maioria não chega”, assumiu o governante demissionário, que lidera um Executivo apoiado pelos dois maiores partidos da Áustria mas ficou numa posição politicamente insustentável.

É mais um passo na crise política gerada pelo sucesso de Norbert Hofer, o candidato mais votado na primeira volta das presidenciais, a 24 de abril. Contrariando as previsões, o militante do Partido da Liberdade (FPÖ, extrema-direita) alcançou 35,1% dos votos, passando à segunda volta com Alexander Van der Bellen, dos verdes (21,3%). O tira-teimas será a 22 de maio.

Além do desaire eleitoral, as críticas de parte da esquerda a Faymann – vindas sobretudo de sindicatos e da organização juvenil do SPÖ – deviam-se às suas posições duras relativamente ao direito de asilo. Da ala oposta do partido vinham apelos à colaboração com o FPÖ, outrora visto como anátema. No passado dia 1, nos festejos do Dia do Trabalhador, Faymann foi apupado.

Quando o Bloco Central não chega

Embora o Presidente da Áustria não tenha poderes executivos, pode dissolver o Parlamento, coisa que Hofer já ameaçou fazer. O candidato a chefe de Estado tem conseguido mostrar um FPÖ mais simpático, que vai seduzindo eleitores. Parcialmente paralisado após um acidente de parapente, tem defendido os direitos dos deficientes e faz passar uma mensagem eurocética, anti-imigração e anti-Islão, alternada com posições mais à esquerda no que toca ao Estado-providência.

A ascensão do FPÖ – que já dera que falar há 15 anos quando foi parte de uma coligação de Governo, sendo então liderado por Jörg Haider – deve-se a uma crise dos dois maiores partidos, SPÖ e ÖVP (Partido Popular, o centro-direita tradicional). Há dez anos que estes partidos suportam o Governo, alternando apenas na liderança do mesmo. O candidato do ÖVP às presidenciais, Andreas Kohl, ficou ainda pior do que o do SPÖ, sem ir além dos 11,1%.

O Bloco Central austríaco parece ser um dos motores do avanço da extrema-direita. Que, por sua vez, pode tornar a soma de SPÖ e ÖVP insuficiente para governar após as próximas eleições, previstas para 2018. Os sociais-democratas já colaboram com o FPÖ no poder municipal e regional, mas qualquer aliança a nível nacional tem sido vista como tabu. Em 2000, a União Europeia chegou a impor sanções à Áustria devido à participação do FPÖ no Governo.