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Alemanha acusa EUA de “não fazerem concessões sérias” nas negociações do TTIP

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Controverso acordo de comércio livre a ser negociado em segredo desde 2013 pelos EUA e a Comissão Europeia enfrenta cada vez mais obstáculos

A conclusão da controversa Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP, na sigla inglesa) ficou ainda mais em dúvida esta segunda-feira, após um alto cargo do governo alemão acusar os Estados Unidos de não fazerem "qualquer concessão séria" para colmatar as preocupações europeias sobre os assuntos mais fraturantes nas negociações secretas.

Em entrevista ao jornal "Der Spiegel" citada pelo "The Independent", o ministro alemão da Agricultura Christian Schmidt tornou-se o último de uma série de políticos europeus a criticar os norte-americanos pela sua estratégia de negociações, que Barack Obama queria ver completadas até ao final deste ano, antes de abandonar a presidência dos EUA em janeiro.

"Até agora eles não fizeram quase nenhumas concessões sérias" nas negociações do TTIP, acusa Schmidt, juntando-se ao negociador francês, o ministro do Comércio de François Hollande, Matthias Fekl, que na semana passada responsabilizou Washington pelo atual impasse e declarou que "a opção mais provável" neste momento é "suspender" o acordo transatlântico.

Na entrevista ao "Der Spiegel", o responsável alemão diz que os norte-americanos estão enganados se julgam que "podem seduzir os alemães com concessões no sector automóvel". Referindo-se a essas potenciais concessões numa indústria para garantir acordos fraturantes noutras, o ministro da Agricultura declarou: "Não vamos sacrificar os nossos elevados padrões de segurança alimentar numa permuta para aprovação de sinais de pisca em carros europeus."

O governo de Angela Merkel junta-se assim ao governo francês, depois de o Presidente Hollande ter declarado na semana passada que não vai ratificar o acordo nos atuais moldes por se opôr "ao comércio livre desregulado". Como com outros acordos bilaterais, o objetivo primoridal do TTIP é eliminar os entraves burocráticos ao comércio entre os EUA e a UE, alinhando os padrões de trocas e investimento.

Os defensores da parceria falam em ganhos económicos extraordinários para os dois blocos democráticos e defendem a necessidade de um acordo desta natureza para fazer frente às economias emergentes. Os críticos, desde políticos a organizações não-governamentais, dizem que o acordo não traz nada de novo às atuais relações comerciais EUA-UE e que serve apenas para dar mais poderes a grandes empresas e ao capital privado sobre governos democraticamente eleitos.

Entre os pontos mais controversos do acordo está o facto de estar a ser negociado em segredo pelo governo norte-americano e pela Comissão Europeia, com multinacionais a terem acesso aos documentos das negociações, que estão vedados aos parlamentos nacionais dos 28 Estados-membros e inclusivamente aos membros do Parlamento Europeu.

Alvo de críticas desde o início das conversações há quase três anos, o TTIP ganhou destaque na semana passada com a divulgação de parte desses documentos confidenciais pela Greenpeace na Holanda, onde são reveladas as pressões a que a União Europeia está sujeita para aceitar desregularizar sectores como o da segurança alimentar, saúde e proteção do consumidor e onde são citadas diferenças "irreconciliáveis" entre os negociadores americanos e europeus.

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