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Trump, versão feminista: “Hillary é casada com um homem que foi o pior agressor de mulheres na política”

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Win McNamee

Donald Trump quer conquistar o eleitorado feminino e a estratégia passa por apresentar Hillary Clinton como uma pessoa insensível ao sofrimento das mulheres

O provável candidato republicano às eleições presidenciais norte-americanas Donald Trump lançou, este fim de semana, uma nova polémica, ao acusar a rival democrata Hillary Clinton de ter sido "cúmplice" das infidelidades conjugais do seu marido, o ex-Presidente dos Estados Unidos Bill Clinton.

Numa entrevista hoje transmitida pelo canal de televisão norte-americano ABC, o multibilionário justificou que tais afirmações "fazem parte do jogo", a partir do momento em que o casal Clinton aparece junto em ações de campanha pelo país.

"Ela é casada com um homem que foi o pior agressor de mulheres na história da política. Ela é casada com um homem que fez sofrer muitas mulheres", afirmou o empresário. "E Hillary foi cúmplice e tratou essas mulheres de forma terrível", disse o candidato, prosseguindo que algumas dessas mulheres ficaram devastadas, não pelo comportamento de Bill Clinton, mas pela forma como foram tratadas pela ex-primeira-dama.

O magnata do imobiliário já tinha lançado acusações similares durante um encontro na sexta-feira à noite, no estado de Oregon. Hillary "foi uma cúmplice extremamente maliciosa" das ligações extraconjugais de Bill Clinton, referiu, na altura, Donald Trump.

Segundo a imprensa internacional, estas afirmações parecem encaixar numa nova estratégia de Trump para reconquistar o eleitorado feminino, depois de ter feito várias declarações polémicas sobre as mulheres: associar Hillary Clinton a Bill Clinton e apresentar a candidata do Partido Democrata como uma pessoa insensível ao sofrimento das mulheres.

A Casa Branca pode confiar em Trump?

Mark Lyons

Após uma importante vitória, na terça-feira, no estado do Indiana, e da desistência do senador Ted Cruz e do governador John Kasich, Donald Trump ficou como o único candidato à nomeação republicana para as eleições presidenciais dos Estados Unidos, agendadas para 8 de novembro deste ano.

A convenção nacional do Partido Republicano, que deverá confirmar a indigitação de Trump, realiza-se em julho, em Cleveland, no estado do Ohio. Perante a provável nomeação de Trump como o candidato republicano à Casa Branca, o multibilionário terá acesso a alguns dos dossiês secretos dos Estados Unidos, como é habitual durante a campanha eleitoral para as eleições gerais.

Mas, tendo em conta o temperamento tempestuoso do candidato que nunca exerceu qualquer cargo político, a situação parece estar a suscitar algumas dúvidas. A Casa Branca confirmou esta semana que os serviços de informações norte-americanos vão entregar um relatório classificado ao empresário, depois de o Partido Republicano oficializar a sua indigitação na convenção. Este relatório é entregue desde 1952 aos candidatos presidenciais dos dois principais partidos.

O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, foi esta semana questionado sobre a eventual preocupação do Presidente Barack Obama, com o facto de Trump ir receber informações classificadas. "Essas são avaliações que têm de ser feitas pelos serviços de informações, e o Presidente tem plena confiança na capacidade dos nossos profissionais", disse o porta-voz.

O diretor dos serviços de informações dos EUA, James Clapper, afirmou há alguns dias que a administração de Obama pretendia manter a prática de informar os candidatos presidenciais dos dois principais partidos sobre alguns dos assuntos mais secretos do país.

"Já estabelecemos um plano para informar os candidatos quando forem nomeados, e certamente depois de novembro, quando o presidente eleito for conhecido, a informação será mais intensa. Temos uma equipa para fazer isso, e já foi selecionado quem vai liderar o processo, e não foi escolhido a partir de um ponto de vista político", explicou Clapper.