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Kim Jong-un abre caminho a reformas económicas na Coreia do Norte

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Kim Jong-Un, líder da Coreia do Norte, durante uma parada militar em Pyongyang, em outubro de 2015.

ED JONES/Getty Images

Kim Jong-un vira agora as suas atenções para a economia do país, em particular para o setor energético, surpreendendo aqueles que esperavam que este VII Congresso do Partido dos Trabalhadores servisse apenas para cimentar a sua liderança e estatuto como sucessor do pai

O líder norte-coreano, Kim Jong-un, apresentou uma estratégia a cinco anos para estimular o crescimento económico do país, sublinhando a necessidade de aliviar a escassez energética e melhorar a vida dos cidadãos, segundo o jornal Rodong Sinmun.

Kim anunciou o plano durante o VII Congresso do Partido dos Trabalhadores, que se celebra à porta fechada. “Acima de tudo é necessário cumprir esta estratégia de cinco anos de desenvolvimento económico do Estado entre 2016 e 2020 (...), e neste período resolver o problema energético”, assegurou o líder durante a apresentação, no Congresso, de um relatório dos trabalhos do Comité do Partido, tornado público este domingo. O líder norte-coreano também assegurou que “é necessário melhorar a vida dos cidadãos, aumentando a produção na agricultura e na indústria ligeira”.

O anúncio chega num momento em que a Coreia do Norte enfrenta as mais duras sanções impostas pelo Conselho de Segurança da ONU, após os testes nucleares e de mísseis de janeiro e fevereiro. O líder norte-coreano expôs a sua visão no sábado, durante o segundo dia do congresso, que começou na sexta-feira e decorre à porta fechada em Pyongyang, apesar de apenas hoje, no terceiro dia do evento, as declarações terem sido divulgadas pelos meios de comunicação estatais.

“A meta da estratégia é preparar uma base que permita desenvolver de maneira sustentável a economia do país ao promover a economia nacional e assegurar o equilíbrio entre os diferentes setores da energia”, disse o líder perante os quase 3.500 delegados do partido. Entre as medidas expostas durante a sua intervenção, Kim indicou que é “desejável aumentar a geração de energia nuclear enquanto se constroem mais centrais hidroelétricas e se amplia o uso de energias renováveis”.

As referências à economia eram as mais esperadas do congresso, já que se considera que nos quase cinco anos de liderança Kim Jong-un conseguiu uma certa estabilidade política e militar. Até agora, o líder tinha exposto a chamada política “Byeongjin”, que consiste em estimular a economia ao mesmo tempo que se desenvolve o programa nuclear. Até agora, o líder não fez qualquer referência a uma abertura do país à economia de mercado, como era esperado por alguns analistas.