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Internacional

Cessar-fogo em Alepo prolongado por mais 72 horas

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KARAM AL-MASRI/Getty Images

O Governo sírio continua a ser apontado como o responsável pelo ataque recente a um campo de refugiados na província síria de Idlib, perto da fronteira com a Turquia, que resultou na morte de 30 pessoas e feriu outras 80, incluindo mulheres e crianças. Damasco e Moscovo têm negado todas as acusações

Helena Bento

Jornalista

O ministério de Defesa russo anunciou na sexta-feira que o cessar-fogo na cidade de Alepo, no noroeste da Síria, vai prolongar-se durante mais 72 horas. “Para evitar que a situação piore, o regime de calma, uma iniciativa do Governo russo, prolongar-se-á durante mais 72 horas a partir das 00h00 do dia 7 de maio, na província de Latakia e na cidade de Alepo”, informou o ministério russo em comunicado.

Pressionado pelos Estados Unidos e pela Rússia, o Governo sírio aceitou na quarta-feira aplicar a Alepo o já pouco credível acordo de cessar-fogo assinado em fevereiro deste ano. A primeira versão do documento abrangia territórios no país cujas populações viviam com grandes dificuldades devido aos bombardeamentos constantes, à exceção das regiões com presença do autoproclamado Estado Islâmico ou da Frente al-Nusra, o braço armado da Al-Qaeda na Síria. Apesar de ter permitido a entrada de ajuda humanitária em alguns dos locais mais afetados e a diminuição gradual da violência, o acordo tem sido, de tempos a tempos, quebrado.

A situação em Alepo é particularmente grave. Jeffrey Feltman, líder do departamento de assuntos políticos da ONU, descreveu a campanha de bombardeamentos do Governo sírio contra a cidade ao longo das últimas duas semanas como “a pior” desde o início da guerra civil, em março de 2011. Entre os vários acontecimentos recentes destacam-se o bombardeamento por parte do regime sírio, nos últimos dias de abril, que teve como alvo um hospital na cidade (Al Quds) e resultou na morte de 27 pessoas, entre as quais três médicos. Já esta terça-feira, dia 3 de maio, outro hospital em Alepo (Al Dabit), localizado na zona controlada pelo Governo de Damasco, foi atingido por rockets lançados por um grupo de rebeldes. Pelo menos 19 pessoas morreram.

Mas o ataque que tem gerado maiores dúvidas e consternação ocorreu esta quinta-feira num campo de refugiados, Sarmada, na província síria de Idlib, perto da fronteira com a Turquia. Pelo menos 30 pessoas morreram e outras 80 ficaram feridas, incluindo muitas mulheres e crianças. Grupos de ativistas como o Comité Local de Coordenação não têm dúvidas de que o ataque tenha sido levado a cabo pelo regime sírio. Também a ONU e os Estados Unidos têm indicações que apontam não só para que tenha sido o Governo de Damasco o responsável pelo ataque, como indicam que ele foi deliberado. “Tendo em conta que estas tendas estavam aqui há várias semanas, e podem ser vistas claramente do ar, é extremamente improvável que estes ataque assassinos tenha sido acidentais”, afirmou Zeid Ra'ad al Hussein, responsável da ONU para os Direitos Humanos, citado pelo britânico “Guardian”. Stephen O’Brien, chefe da ONU para as questões humanitárias, pediu uma investigação “imediata, imparcial e independente” aos bombardeamentos.

Damasco e também Moscovo - que tem participado no conflito ao lado do regime sírio - têm obviamente negado as acusações. O porta-voz russo, Igor Konashenkov, sugeriu inclusive que terroristas da Al-Nusra têm recorrido com frequência a lança-rockets.