Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Ser migrante não é crime, diz o Papa

  • 333

Getty

O Santo Padre recebeu sexta-feira no Vaticano o Prémio Carlos Magno, atraibuído desde os anos 50 às personalidades que contribuam para a unificação pacífica da Europa

Na Europa com que sonha o Papa Francisco devem prevalecer os valores e os direitos. Por isso, “ser migrante não é um delito”. Estas declarações foram feitas ontem no Vaticano perante os presidentes das principais instituições europeias, por ocasião da atribuição ao sumo pontífice do prémio Carlos Magno. Esta distinção que remonta aos anos 50 distingue os que se esforçam para unir de forma pacífica a Europa. Na sala Regia do Vaticano, a ouvi-lo, estiveram a chanceler alemã, Angela Merkel, o Rei Filipe VI de Espanha, o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, e a ainda o Presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi.

“Aqueles que, 25 anos depois da queda da Cortina de Ferro, querem construir novas paredes e muros na Europa, pondo em causa uma das maiores conquistas europeias, a liberdade de circulação, não aprenderam nada com a História”, disse durante a cerimónia Martin Schulz, Presidente do Parlamento Europeu.

Não foi por acaso que Martin Schulz veio ao Vaticano, juntamente com o Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude-Juncker e o Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk. Os três receberam no passado o mesmo prémio, atribuído pelo município alemão de Aachen, mas a União Europeia que têm em mãos continua em enfrentar crises, sejam económicas, sejam de refugiados. Terão vindo à procura de um milagre? Ao Expresso, Schulz disse que não acredita em milagres. “O que precisamos é do apoio dos cidadãos e de voltar a ganhar a confiança deles”, explicou.

E precisam também de discursos mobilizadores que têm faltado aos políticos, e contam com o Papa Francisco para dar o exemplo. “Podemos estar orgulhosos da Europa porque, Santo Padre, a Europa ainda se parece consigo”, disse Tusk, perante o Papa Francisco. “No dia em que se deixar de parecer consigo, será reduzida a um mero conceito geográfico e um vazio político”, concluiu.