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Líder dos republicanos “não está pronto” para apoiar Trump

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Getty Images

Anúncio de Paul D. Ryan, o republicano eleito que atualmente ocupa o mais alto cargo do partido na oposição, demonstra divisões internas “a que não se assistia há pelo menos meio século”, aponta o “New York Times”

Numa extaordinária rejeição do presumível nomeado do Partido Republicano para disputar as eleições presidenciais dos Estados Unidos em novembro, Paul D. Ryan declarou na quinta-feira à noite (madrugada desta sexta em Portugal) que "não está pronto" para apoiar Donald Trump — dois dias depois de o magnata populista e demagogo ter vencido as primárias do Indiana e praticamente garantido a nomeação republicana, perante o abandono da corrida pelos seus dois únicos rivais, o senador do Tea Party Ted Cruz e o governador do Ohio, John Kasich.

Numa demonstração de divisões internas a que não se assistia no Grand Old Party (GOP) "há pelo menos meio século", como apontado pelo "New York Times", o líder da maioria republicana na Câmara dos Representantes e presidente da Convenção Nacional Republicana anunciou numa entrevista à CNN que para já não pondera apoiar formalmente Trump.

"Penso que os conservadores precisam de saber: será que ele partilha os nossos valores e princípios sobre um Governo com poderes limitados, sobre o papel apropriado do Executivo, sobre a adesão à Constituição?", questionou Ryan, contrariando promessas anteriores de que iria apoiar o nomeado republicano nas presidenciais. "Penso que existem muitas questões para as quais os conservadores vão precisar de respostas."

Em menos de uma hora, Trump respondeu publicamente ao repto lançado pelo líder dos republicanos, deixando claro que não vai alterar a sua postura para agradar aos membros do partido pelo qual pretende ser candidato presidencial — ainda que, após a vitória no Indiana, tenha prometido que vai "unir" os republicanos. Em comunicado, o candidato virtual do partido disse não estar "preparado para apoiar a agenda do líder Ryan".

"Talvez no futuro possamos trabalhar juntos e alcançar um acordo sobre o que é melhor para o povo americano", declarou Trump. "Eles têm sido tão mal-tratados há tanto tempo que já era altura de os políticos os porem em primeiro lugar!"

Ryan não deixou claro se vai ou não alterar a sua postura no futuro, para dar ou recusar o seu apoio a Trump na convenção de julho, de onde sairá o candidato oficial republicano às presidenciais. A sua ambivalência põe-no em rota de colisão com Reince Priebus, o atual presidente da Comissão Nacional Republicana, que no passado declarou que iria dar a nomeação ao candidato que conseguir garantir o mínimo de 1237 delegados eleitorais, mesmo que esse candidato seja o fraturante Trump.

De acordo com o "New York Times", quando Priebus declarou Trump como o "presumível candidato republicano" na terça-fera, deixou claro que vai obrigar os membros do partido a cumprir os padrões e métodos do partido no que toca à nomeação do candidato. O seu porta-voz, Sean Spicer, disse à CNN, logo após a entrevista de Paul Ryan, que Priebus não estava à espera daquelas declarações.

Ryan não está sozinho contra Trump. Depois de o magnata do imobiliário ter garantido a importante vitória no Indiana, George H. W. Bush e George W. Bush, ambos antigos Presidentes dos EUA (os únicos republicanos que ocuparam o cargo e que ainda estão vivos), declararam que não vai apoiar o candidato presumível do partido.

Num artigo publicado na quarta-feira, a Vox compilou uma lista, que poderá engrossar ao longo das próximas semanas, de todos os membros do Partido Republicano que já declararam que vão apoiar Hillary Clinton, a provável candidata democrata às presidenciais, para não darem o seu voto a Trump.